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Yeah Cast #2 com Elson Barbosa (Sinewave): o papel do selo na era do streaming

A democratização dos meios de produção e circulação (tema comum nas discussões que envolvem a web, os softwares, o streaming e os seus agregados) trouxe simultaneamente novas possibilidades e novos paradigmas para quebrarmos a cabeça. Na música, a nova configuração ofereceu a mais gente a capacidade de criação e de reverberação, ao mesmo tempo em que desordenou consideravelmente a balança da oferta e da procura: saímos de um passado recente onde as gravadoras mantinham essa equação sob mão de ferro e chegamos a um status quo onde aparentemente há muito mais produção sendo feita do que gente para ouvir o que é produzido. É uma situação distópica/apocalíptica para alguns (e entende-se por que), mas vista por outros como um estado de desajuste muito comum ao início de novas eras. Elson Barbosa, fundador do selo independente Sinewave, parece ser partidário dessa segunda visão mais otimista.

No segundo episódio do Yeah Cast, Afonso de Lima (que recentemente concluiu uma longa pesquisa sobre o tema) conversa com Elson, que conta um pouco sobre o ambiente que envolveu a criação do Sinewave (um dos primeiros selos digitais do Brasil, fundado antes mesmo do streaming se tornar uma realidade nacional) e desprende alguns comentários sobre como o atravessamento de plataformas como o Spotify e o YouTube vem alterando a rotina e as perspectivas dos artistas independentes no país. O sucesso do single da Anitta, óbvio, é um fenômeno a ser estudado; mas, e na outra ponta deste processo, onde a comunicação é menos massiva, a verba é mais limitada e a pirotecnia é quase rara? Como essas novas realidades de circulação podem alterar quanti/qualitativamente o trabalho de artistas não massivos que são justamente as criaturas orgânicas desse novo ambiente produtivo trazido pela reviravolta tecnológica? São provocações levantadas ao longo da meia hora de programa, que parte do papel dos selos no estágio atual da técnica e percorre termos chave como playlists, curadoria, conteúdo e visibilidade real na era da abundância.