....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... .......................

Browse By

The Outs

The Outs: “sem os palcos menores, não existiriam os maiores”

Estar no line up de um grande festival é uma oportunidade ímpar para uma banda independente. É, sobretudo, a chance de alcançar pessoas diferentes e de representar a sua cena local no palco por onde passam alguns gigantes da música no mundo. Em constante crescente desde o seu surgimento em 2009, a banda carioca The Outs estará no Lollapalooza Brasil 2017 se apresentando no mesmo dia em que medalhões do rock abarrotarão as primeiras fileiras. Para os medalhões, um dia comum com milhares de pessoas à sua frente. Para a The Outs, uma conquista coletiva que envolveu muita gente e o topo de uma trajetória iniciada no final da década passada. Conversamos com o baixista Dennis Guedes, para entender um pouco mais como a banda chegou até aqui, como sentiu o convite e como projeta a carreira a partir da grande visibilidade que terá.

The Outs

A banda carioca The Outs: de palco em palco até chegar em um dos maiores festivais do planeta.

Nascida em uma época em que gravar autonomamente as suas próprias músicas e publicar através da internet já era algo comum, a The Outs iniciou a sua carreira lançando alguns vídeos filmados pelos dois primos que integram o projeto desde a sua fundação, Dennis Guedes e Tiago Carneiro. Com o passar do tempo e aproveitando bem algumas boas oportunidades (como eles contaram para o New Yeah em entrevista que deram aqui em 2014), o quarteto que conta ainda com Gabriel Politzer e Vinícius Massolar se estabeleceu, lançou EPs responsáveis por criar um público cativo, chegou à final do Breakout Brasil, participou do Rubber Tracks da Converse com o engenheiro Aaron Bastinelli e ainda empreendeu com a fundação de um selo próprio, o Novadema Records. A cereja no bolo foi o disco Percipere, lançado em parceria com Deck em 2016.

Atualmente, a forma como uma banda lança os seus trabalhos não está mais necessariamente ligada a ter uma estrutura formal de gravadora auxiliando no processo de produção, promoção e distribuição dos discos. Há um novo modelo em voga já há algum tempo, e este novo modelo possível é algo que dá autonomia ao artista para que ele possa intervir em todo o ecossistema que ronda a sua música, o que obviamente gera artistas mais multidisciplinares que têm na música em si apenas uma das etapas de seu trabalho.

“O selo acabou surgindo por dois motivos principais. O primeiro é que, na época do lançamento do mini-álbum Marmalade Land, nós não estávamos lançando com auxílio de ninguém, então preferimos centralizar o lançamento. O segundo é que sentimos a falta de mais trabalhos coletivos pelo Rio, maior organização entre as pessoas que lidam com a música independente. A conversa entre bandas e pensar no conceito das coisas é fundamental. O melhor jeito de linkar as duas necessidades, para nós, foi criar um selo. Lidar com a música independente hoje vai totalmente contra a ideia de que ‘artista é vagabundo’. Muito pelo contrário. Hoje, pra viver na música independente, você precisa estar bem ligado em tudo que gira em volta e aprender a jogar em todas as posições”. Dennis Guedes, The Outs

Gravar, produzir, vender o show, promover eventos, articular bandas e, claro, já ia esquecendo, criar músicas que deem conta de marcar evoluções importantes sob o ponto de vista estético e discursivo a cada temporada. Percipere, por exemplo, marca o primeiro registro mais extenso da banda cantando em português e também mostra um amadurecimento percebido pelos próprios integrantes diante das vivências acumuladas ao longo do tempo.

“Esse disco começou como um teste. Quando participamos do Breakout Brasil em 2014 (reality musical da Sony), saímos de lá com a nossa primeira música em português, e que mais tarde acabou virando o primeiro single do novo disco, a ‘Ainda Me Lembro’. A experiência foi legal e gostamos do resultado, então começaram a surgir várias composições em português depois disso”. Dennis Guedes, The Outs

A mudança no processo de composição acabou dando resultados também na relação da banda com o público, como comenta Dennis: “com as músicas em português, acaba rolando uma conexão maior das pessoas; muita gente acaba se identificando com o que estamos dizendo, além de estar curtindo o som. As pessoas também passaram a cantar mais as nossas músicas nos shows, o que é sempre muito massa”.

Da participação em programas de televisão, passando por pequenos shows Brasil afora, chegando a alguns ouvidos no exterior e, agora, com o Lollapalooza pela frente, a The Outs reconhece que muitas dessas oportunidades não seriam capazes de se concretizar se não fosse o trabalho dos quatro integrantes de estarem ativos no circuito independente nacional abraçando atividades e estando atentos a toda oportunidade de promoção do seu som e da própria cena.

“Eu acredito que são esses palcos menores que tornam possíveis os convites maiores acontecerem. É nos palcos pequenos que a banda desenvolve, aprende a tocar junto e ‘fechar’ o seu som. Sem os palcos menores, não existiriam os palcos maiores”. Dennis Guedes, The Outs

Estar em um festival por onde passam nomes do mainstream mundial e que atrai públicos não tão acostumados a vasculhar a web atrás de bandas novas faz do Lolla uma possibilidade para buscar novos ouvintes, aumentar o alcance da banda e, principalmente, mostrar ao grande público que existe vida inteligente nos palcos menores espalhados pelo país. Nesta última função, a banda sobe ao palco não só pensando na sua evolução individual, mas representando também toda uma coletividade que mantém a música viva no cenário independente.

“Não fazemos ideia de como é o festival, nem de como são as pessoas com quem vamos cruzar por lá. O que sabemos é que vamos levar o nosso show e representar um pouco da cena carioca no palco do Lolla”. Dennis Guedes, The Outs

Outro dia, escrevemos por aqui que o conceito de “artista independente” amadureceu bastante ao longo da última década e, com a obsolescência das gravadoras tradicionais, ser independente já não se limita a estar atrelado ou não a uma grande marca com poder midiático. Cada vez mais, o artista independente é aquele com capacidade de transitar (dentro de uma grande gravadora, se necessário) sem perder a autonomia, entrando e saindo de estruturas moralmente intacto e criativamente livre. A The Outs representa bem essa ideia desde o início.

Seja distribuindo o seu som através de um grande label, seja passando horas na estrada em uma turnê sem o menor glamour por puro amor à música, seja gravando em parceria com um dos maiores engenheiros de som do mundo ou seja subindo ao palco diante de “apenas” dezenas de pessoas na galeria Kult Kolector da Barra da Tijuca, a banda se mantém impermeável a regras, dogmas e estereótipos. Obedece apenas à evolução natural que vem de dentro dos integrantes em contato com público e com a própria experiência que é tocar outras pessoas através do som.

“Cada show acaba sendo uma experiência diferente. Cada um deu a oportunidade de chegarmos em diferentes tipos de pessoas, de diferentes lugares. Sempre gosto de pensar que, quando as pessoas estão prestando atenção no nosso show, é porque de alguma forma aquele momento está sendo especial. Aí, quando a pessoa se torna fã, passa a acompanhar nas redes sociais as novidades da banda, significa bastante pra nós”. Dennis Guedes, The Outs

A The Outs se apresenta no Lollapalooza Brasil no sábado, dia 25, no Autódromo de Interlagos. Os ingressos para um ou dois dias ainda estão disponíveis neste link. Se quiser continuar acompanhando o grupo carioca, é só clicar aqui. Para conhecer melhor o trabalho da banda, dê um play na playlist abaixo.