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Soundlights

“Sons Que Vêm do Sítio”: se mantém viva a obsessão da Soundlights em registrar ambientes através do som

Em 2016, Arthur Valandro transformou a solidão de um retiro no Alaska em música, registrando a experiência em algumas faixas através de um projeto que chamou de Soundlights. Pouco mais de um ano depois, este projeto se transformou em uma banda, o processo solitário se transformou em produção coletiva e o próprio frio do Alaska deu lugar à outro cenário no EP Sons Que Vêm do Sítio. O trabalho que marca toda esta transição é lançado e comentado hoje, com exclusividade pelo New Yeah.

Para quem nunca ouviu falar, vale uma rápida introdução. A Soundlights é um experimento que nasceu encabeçado por Arthur Valandro durante uma estadia do músico nas geladas terras do Alaska. Na época, a paisagem branca, o isolamento causado pelo frio, a beleza da Aurora Boreal (que inspirou o nome do projeto) e a distância de casa deram origem aos primeiros sons lançados em maio de 2016. Naqueles singles, uma boa parte do material era fruto de gravações caseiras em um quarto cercado por temperaturas abaixo de zero.

De lá para cá, a Soundlights passou por um processo de “aquecimento”. Novos artistas passaram a fazer parte do projeto, transformando a empreitada solitária de Arthur em uma plataforma de produção coletiva, conferindo calor humano ao processo criativo, em substituição à solidão. Hoje, contando com de André Garbini e Bernard Simon (que também integram a banda gaúcha Nacional Riviera), Juliano Lacerda e Gabriel Burin, a banda conta uma história diferente, com personagens, roteiro e cenário alterados.

Soundlights

Fotos do ambiente das gravações por Gabriel Machado Paz.

Com mais gente em cena, as composições focadas nas experiências individuais do líder do projeto agora ganham referências e atravessamentos de cada novo integrante. Nesta fase, referências musicais como Youth Lagoon, Animal Collective e Sigur Rós ecoam livremente, construindo camadas de som e voz que se misturam em ambiências melódicas de longa duração.

Até o nome da banda é ressignificado diante do novo trabalho. Esquece-se a homenagem inicial às luzes da Aurora Boreal e Soundlights passa a fazer mais sentido como nomenclatura para um som que surge da experiência de registrar as luzes do ambiente através do som.

Apesar das transformações no som e na proposta, é possível ver uma essência que dura, e que se explica quando é dissecado o processo de gravação do trabalho. Embora tenha contado com mais personagens deste vez, o processo de composição das novas faixas também envolveu uma experiência de isolamento: para compor e gravar o EP, a banda forçou-se a fazer um retiro em um sítio no interior da serra gaúcha. Inevitavelmente, o ambiente penetrou nas faixas, tal como a luz penetra um filme para dar origem a uma fotografia.

Em Sons Que Vêm do Sítio, a Soundlights troca a solidão do interior do quarto pela conexão interpessoal ao ar livre, mas continua absorvendo o ambiente e transformando-o em som, tal como fizera com a paisagem clara do Alaska nos seus primeiros lançamentos. Camadas de sons humanos, eletrônicos, sintéticos e naturais (há espaço até para sons extraídos de árvores, por exemplo) outra vez registram os arredores da gravação como se fossem uma fotografia. Até o nome da banda é ressignificado diante do novo trabalho. Esquece-se a homenagem inicial às luzes da Aurora Boreal e Soundlights passa a fazer mais sentido como nomenclatura para um som que surge da experiência de registrar as luzes do ambiente através do som.

O som se altera, o ambiente ganha a adição de uma camada verde que antes se fazia ausente, mas o resultado ainda é um relato sobre o espaço que lhe dá origem. Ou, como Arthur gosta de resumir, “Soundlights é a música sobre o que sinto ao fazer parte da realidade”.

Escute o EP na íntegra clicando aqui. Acompanhe as novidades sobre a banda pela página da Soundlights no Facebook.