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Regina (niLL)

Regina

Chamado de “o ano lírico” do rap nacional, 2017 foi realmente produtivo para o gênero como poucos anos dos últimos tempos. Novos nomes surgiram e até MCs já conhecidos no subterrâneo chegaram à grande mídia fortalecendo aos holofotes uma cena que sempre cresceu e se sustentou às margens, conservando fôlego respeitável mesmo na época em que a palavra “cena” ainda não era tão comentada quanto é hoje. Bom resultado do ano que passou, o disco Regina do rapper paulista niLL apareceu misturando rap, vaporwave e rock, e conseguiu chamar a atenção dos mais variados públicos, mesmo contracenando com outros vários nomes que também fizeram bastante barulho.

O disco que homenageia a mãe já falecida de niLL traz 13 faixas permeadas pela história pessoal do rapper e pontilhadas pelo seu dia-a-dia, com direito a relatos muito vívidos da sua relação com a família. Entre temas banais e diálogos comuns, o artista guarda frases que volta e meia batem mais forte, como se a trivialidade fosse o plano de fundo necessário para que a letra abrigasse de forma traiçoeira os seus momentos de maior impacto.

niLL, com pouco mais de 20 anos, já demonstra grande maturidade na forma como explora sonoridades e quebra barreiras de ritmos e movimentos. Seja misturando um sampler de “Ashes to Ashes” (David Bowie) com conversas que qualquer pessoa poderia ter durante o horário de almoço, seja saindo do rap em alguns momentos das faixas para depois retornar a ele com ainda mais força, o músico consegue ampliar o horizonte do gênero e fazer com que ele não se feche em si mesmo vivendo um de seus auges criativos. O som de niLL tem seus antepassados visíveis, mas marca principalmente pelo frescor e pela coragem com que incorpora elementos intrusos, retirando o rap da sua zona de conforto.

Diante de tanta diversidade, não é à toa que mesmo as pirações vaporwave se encaixam tão bem no mosaico do artista. Na forma, ruídos e notificações de aplicativos pagãos surgem como efeitos sonoros que contribuem para a atmosfera familiar do álbum. No conteúdo, telas trincadas, conversas por áudio, fast food, animes japoneses e redes sociais são temas comentados, fazendo um aponte entre um cidadão comum que se posiciona diante do microfone e o ouvinte, outro ser comum envolvido com as mesmas questões enquanto ouve toda aquela narrativa.

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