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Quem Me Salvará Sou Eu, Marano

Quem Me Salvará Sou Eu

Velho conhecido dos mais atentos, o baixista da Banda Mais Bonita da Cidade e ex-Charme Chulo, Marano Ailum lançou em 2017 o seu primeiro álbum solo, o experimental Quem Me Salvará Sou Eu. O trabalho é um misto de lembranças pessoais com ritmos e timbres bem brasileiros, com direito a sutis pitadas de um som tribal sintetizado.

O registro marca um processo de mergulho do artista em suas referências mais particulares, mas cresce mesmo através da sua capacidade de explorar soluções pouco óbvias catadas em inspirações mais distantes. O suco final da mistura é um álbum que vai bem além de um simples punhado de canções cuspidas ao mundo por alguém que represou muito material criativo ao longo da vida.

A originalidade do disco não quer dizer, no entanto, uma ruptura com a obra de Marano construída até então em outros de seus projetos. Quem Me Salvará Sou Eu traz participações especiais de amigos de várias bandas conterrâneas do paranaense, com destaque às participações de Uyara Torrente (Banda Mais Bonita da Cidade) e de integrantes do grupo Tuyo. O frescor do álbum vem da capacidade de misturar este universo já assimilado a mundos não tão comumente acionados por personagens desta cena, algo que fica mais claro quando o músico recebe a tribo indígena pernambucana Fulni-ô e chega a dividir com estes composições escritas em seu dialeto nativo, como é o caso da transcendental “Ywek´detsahe”.

Em uma junção onde se congregam o folk, o dub, a MPB, o tribal e o soft-rock, a cara final do disco aproxima Marano de artistas como Curumin, Lucas Santtana e Otto, mantendo uma pegada levemente mais pop do que estes todos. Inclusive, é um dos grandes trunfos do trabalho a sua capacidade de experimentar sem se tornar complexo ou excessivamente denso em suas linhas gerais.

Resta agora saber se esta é mesmo a cara que o artista quer dar ao seu voo solo ou se a efervescência de fontes e linguagens é o simples resultado de um primeiro trabalho individual onde desaguaram referências acumuladas ao longo de muito tempo. De toda forma, a confusão funciona por ora. Se no futuro ela tomar outro formato, que esta cara nova não abra mão da criatividade e da sensibilidade que esta primeira experiência já apresentou.

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