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Os melhores singles e EPs de junho

A exemplo do que acontecia quando escrevi a lista passada, sigo digitando em meio ao gelo de um inverno caprichado nas baixas temperaturas. Neste momento, 00:34, estamos com 6 °C em Porto Alegre. Já passei da fase introspectiva ali pelas dez da noite e adentrei há pouco em uma vibe contemplativa que acabou se refletindo nas escolhas da vez, aliada à uma série de e-mails que surgiram na caixa de entrada apresentando lançamentos de bandas que há muito tempo não apareciam por aqui. Então cá está a parcial lista com os melhores singles e EPs que recebemos em junho, cheia de retornos triunfais, com a participação mais do que especial de algumas figurinhas novas que também fazem valer o play.

“Sonhos de Kassin” (Tereza)

Em junho, a banda Tereza lançou o single “Sonhos de Kassin”, que definitivamente não marca uma virada na trajetória do grupo. Pelo contrário, solidifica a ideia de que a banda é uma das que melhor sabem misturar os elementos eletrônicos à uma levada pop não previsível entre os artistas dessa geração. A última vez em que o grupo apareceu nas nossas páginas foi no ano de 2013, quando lançava o clipe de “Endorfinar”, hoje já um pequeno clássico brasileiro de verão. De lá para cá, o grupo lançou outro álbum em 2015, apareceu com um consistente EP em 2016, participou do reality SuperStar (Rede Globo) e firmou-se como um dos nomes de maior alcance dentro da última geração de bandas que flertam com o indie pop no Rio de Janeiro.

“Boogie Boogie” (Whipallas)

Mantendo o clima dançante, mas saindo do eletrossoft para um som com o pé na soul music, chegamos à “Boogie Boogie”, do Whipallas. O som aqui remete ao clima de pista dos anos 70 e marca o amadurecimento do arsenal da banda no trato com a arte do groove – algo já bem iniciado no EP homônimo que ouvimos no ano passado. A faixa, que prepara para o próximo lançamento do grupo, chegou em nossa caixa de entrada acompanhada de um competente videoclipe estrelado por nada mais, nada menos que Regina Sampaio e Tonico Pereira. O grupo nunca havia aparecido no New Yeah, mas poucas coisas podem soar mais nostálgicas do que um som ~dancing days~ em um clipe com a presença de um ator que esteve no elenco da série Anos Dourados.

“Ser Humano” (Tópaz)

Outra que felizmente reapareceu em junho foi a Tópaz, que lançou o single “Ser Humano”, recebido por nós no dia 23 do último mês. Aqui no New Yeah, a Tópaz teve a honra de figurar no topo da nossa antiga página de downloads na primeira versão mais ou menos profissional do site, lançada em 2013. Na época, o streaming de álbuns completos na web ainda era uma coisa pouco comentada e a nossa equipe disponibilizava nesta página alguns links para que as pessoas baixassem as faixas legalmente no site dos artistas. De lá para cá, o ex-quarteto lançou muita coisa, passou por alguns perrengues e ressurgiu como um duo, mantendo a vocação fina para a sobreposição de camadas sonoras e um talento ímpar para narrar de forma complexa e romântica os pequenos impasses do cotidiano comum.

“Jaded” (Winter)

Hiato menos longo foi o da Winter, que apareceu aqui pela última vez há poucas semanas, lançando a faixa “Always Teenager”, gravada analogicamente no Rio de Janeiro como parte do projeto Cassete Club. Em junho, o grupo californiano/brasileiro liderado pela paranaense Samira lançou ainda “Jaded”, gravada com o produtor Lewis Pesacov (Best Coast e FIDLAR). Só a distância de 10.141km entre os locais de gravação dos dois singles lançados no mesmo mês já valeria uma menção honrosa à banda. Mas o grupo vai além da maratona aérea quando combina as guitarras características do power pop com a voz sutil e sempre certeira da sua frontman.

“Tempo Barravento” (Supervão)

A Supervão, que em junho nos enviou o single “Tempo Barravento”, persegue desde 2015 alguma coisa que nós ainda não descobrimos o que é. E menos mal que a perseguição tem sido interessante a ponto de o destino não ser tão importante assim. Na primeira vez em que falamos da banda, a manchete estampava as pretensões de uma Neu Tropicália, que surgiria da mescla frenética proporcionada pela cultura remix. O termo acabou aos poucos caindo em desuso pela própria banda, dando lugar à ênfase no pós-humanismo que descrevemos em 2016. Em comum com o single que recebemos em junho passado, todas estas experiências anteriores têm a riqueza estética de uma banda que deriva do vaporwave e uma sensibilidade capaz de não prejudicar o caráter popular da canção ainda que a experiência de perseguição persista sem sinal de cessar.

“Habits” (Frabin)

Em uma leva de lançamentos cheia de retornos e rostos conhecidos de quem acompanha o blog, o Frabin aparece aqui pela primeira vez. Ainda assim, não é necessariamente um novato. O projeto do multi-instrumentista paranaense Victor Fabri já é comentado nacionalmente desde o disco Real (2015). Em “Habits”, lançado em 26 de junho, o artista mantém o seu trabalho de revirar o passado que não viveu (no caldeirão, há da new wave ao shoegaze mais ortodoxo) em busca de sonoridades que possam ser mescladas ao que há nos seus fones de ouvido. Segundo constava no release que recebemos junto com o clipe retrô-rosado que acompanha o single, a faixa deve integrar o EP Nope, a ser lançado em agosto em uma parceria entre os selos Balaclava Records e midsummer madness.

“O Ilusionista” (S.E.T.I.)

Permanecendo dentro da mesma estética, mas mudando um pouco de temática, vamos ao single “O Ilusionista”, do S.E.T.I. O duo de Campinas, que também tem um EP lançado em 2015, está se reencontrando dentro de uma sonoridade mais experimental, filtrando o lado menos pop de referências como Portishead e Massive Attack. O single lançado em junho – gravado como parte do projeto Original’s Studio da Levi’s – é um sinal de que as coisas se encaminham bem dentro da nova proposta. E a letra acidamente doce da faixa é um sinal de que nem só de forma viverão esses novos passos.

“Chão” (Não Não-Eu)

Já que o assunto de hoje é a escavassão da auto-história, desde que o New Yeah levou a sua primeira matéria ao ar em abril de 2013, o cenário independente nacional se desmasculinizou consideravelmente. Bandas compostas por mulheres, que eram raras há pouco mais de quatro anos, hoje são cada vez mais comuns e lançam trabalhos cada vez mais notáveis, rompendo ao menos na música algumas barreiras que nunca deveriam ter estado por aqui. A Não Não-Eu, da talentosa Pâmilla Vilas Boas, faz parte de um fenômeno contemporâneo que felizmente vivemos para ouvir. O single “Chão”, lançado em cinco de junho, é um muro de beats conduzido por uma voz feminina forte que às vezes cola no instrumental e às vezes se desvincula dele para criar uma dissonância onde duas coisas brilham em paralelo. Foi a primeira faixa publicada de um disco homônimo lançado pelo selo PWR Records poucos dias depois.

Universo Sem Fim (Paradise Sessions)

Já que demos uma pausa nos velhos conhecidos para falar de nomes que nunca aparecem no New Yeah, quero aproveitar para dar continuidade à nossa tradição de listar alguns artistas de fora do universo indie ao qual o nosso público geralmente já tem acesso. Universo Sem Fim, que chegou para nós no dia primeiro de junho, é o novo EP do grupo Paradise Sessions, que, para todos os efeitos, é um grupo de reggae. Uma ou duas passagens de ouvido pelo som do grupo, no entanto, revelam alguns truques novos – mais eletrificados e sujos do que de costume – embutidos dentro do formato tradicional do gênero. O trabalho, uma das primeiras experiências da banda cantando em português, foi produzido por Lucas Silveira (Fresno, Beeshop, SIRsir e Visconde) e é a dica para quem quer exercitar a sua tolerância sem ir muito longe ninho.

“Camarada” (Yanto Laitano)

E, no mês do reencontro, eis que aparece na nossa caixa de entrada uma canção de Yanto Laitano que narra justamente o reencontro de dois velhos conhecidos. A faixa – que antecipa os trabalhos do disco que será lançado em setembro – é verbalmente simples (a despretensão da letra lembra mesmo um papo daqueles que se leva junto ao amigo que do nada reapareceu depois de anos distante) e caminha em uma linha Nashville de cordas soltas, com uma melodia que você vai captar logo na primeira audição. Praticamente uma afilhada distante de “Meu Amigo Pedro”, de Raul Seixas, que surgiu aqui falando do redemoinho da vida que sempre nos traz de volta aos rostos antigos. “Ah, meu camarada, essa louca estrada, onde vai nos levar?”. Eu também não sei, camarada, mas tomara que seja a algum lugar onde faça sol.