....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... .......................
Compre online

Browse By

singles-janeiro

Os melhores singles e EPs de janeiro

Após um 2016 de altas confusões, correrias, temers e afins, iniciamos 2017 com bastante expectativa e com a caixa de entrada recheada de coisas legais. É bem verdade que boa parte dos selos e das assessorias operaram em velocidade moderada devido aos recessos de réveillon, mas isso não impediu que conseguíssemos listar dez bons lançamentos desta primeira parcela do ano (deixando ainda muita coisa legal de fora!). Abaixo, a nossa tradicional lista com os melhores singles e EPs do mês.

“A Montanha Sagrada” (BIKE)

A BIKE é uma das bandas mais interessantes do país desde o lançamento do disco 1943, que apareceu entre os 20 melhores trabalhos de 2015 na nossa contagem anual de então. Desde esse elogiado álbum, a banda parou pouco em estúdio e passou a maior parte do tempo na estrada dando conta da agenda. Em uma das poucas horas de “repouso”, nasceu o single “A Montanha Sagrada”, que chegou para nós no dia 20 de janeiro. A nova faixa mostra como está a cara da banda quase dois anos depois dela ter despontado no cenário nacional: as atmosferas estão cada vez mais flutuantes (confirmando o que também aponta o single “Yoga Fire”) e o formato das canções está cada vez mais próximo das orações e dos mantras hindus; cada vez mais distante do que se espera da música popular padrão.

EP Mió (Joana de Barro)

Mantendo o termo “atmosfera” em cena, chegamos ao EP Mió, da banda carioca Joana de Barro. Ao longo de cinco faixas, a banda imprime ambiências bem interessantes enquanto alguns dos instrumentos envolvidos ficam livres para improvisar misturando referências distintas que bebem de quase tudo sempre sob a ótica do free jazz. O release enviado a nós assinalava que o grupo possuía influência do poeta Manoel de Barros. Não cheguei a notar essa influência enquanto ouvia, até porque as métricas e ritmos irregulares do autor pós-modernista dificilmente se traduziriam com clareza em um projeto musical. Mesmo assim, fica evidente que a prateleira de poesia na estante dos meninos é bem farta, porque as letras do EP são um dos pontos fortes do trabalho e, por si só, já valeriam a audição.

“O Peso” (Minimalista)

Por falar em poesia, o single “O Peso” do cantor e compositor Minimalista é uma dança de versos conotativos que a sua professora de literatura do ensino médio saberia explicar bem. O embalo e o cheiro de mar do single são uma prévia do que o artista pretende lançar em seu próximo disco. A julgar por esta amostra, vem aí um disco mais soul, um pouco distante da sombra samba-rock-like-Jorge-Ben vista em sua estreia (de 2014). Mas o melhor é mesmo aguardar para ver o que vem, porque o caráter versátil do moço impede previsões mais certeiras.

“Chegando de Assalto” (ABRONCA)

Agora vamos da poesia lírica para versos que que se aproximam mais de um soco no estômago. Antes de mais nada o ABRONCA é a continuação do projeto Pearls Negras (você deve ter ouvido o single “Pensando em Você” ao menos uma vez), mas com esta mudança representativa no nome do grupo para marcar uma nova fase das meninas, mais madura e mais ligada à raiz do rap, deixando para trás o início no funk melody romântico. O resultado da repaginação delas é bastante complexo e interessante de se avaliar. Se por um lado o grupo perde muito tempo da letra com clichês do gênero (como cantar um rap que fala sobre estar cantando um rap), por outro o talento das meninas em rimar rápido usando palavras difíceis em versos bem extensos é cativante e promissor. Ainda há poucos grupos femininos de rap no cenário nacional (uma lástima, dada a missão do movimento Hip Hop) e o ABRONCA parece ter potencial para ocupar esse vácuo, basta manter o fôlego do single de estreia e conseguir evoluir a partir dele.

EP Zero (Lítio)

Esse EP me chamou a atenção por ser uma rara peça de indie pop cantada em português. Aqui mesmo no site já falamos de muitas bandas que conseguiram desenvolver e criar bem sobre a fórmula do sub-gênero (FDC, Old Books Room e One Sky Two Visions, para listar três bons nomes que me vieram rapidamente à cabeça), mas todos tinham o idioma inglês como característica central. A peculiaridade faz com que este não seja um EP tão fácil de ouvir mesmo tendo melodias bem colantes. Após algumas audições, no entanto, o ouvido se acostuma e tudo passa a fazer mais sentido. É como quando assistimos a um filme musical, sabe? No início do filme você acha muito bizarro duas pessoas estarem se xingando através de um canto lírico, mas lá no meio você esquece desse detalhe e já está torcendo pra que o Jean Valjean detone geral.

EP mão nua (vidro/pele)

“Meu nome é Diego Robert e recentemente resolvi criar um projeto, que chamei de vidro/pele, postando algumas músicas que compus e gravei no meu quartinho sozinho”. Achei o approach do Diego bem original e humilde, quase não condizente com a boa obra que ele produziu sozinho e que ainda não foi escutada pelo tanto de gente que merece alcançar. Listar o EP do vidro/pele aqui, lógico, é uma forma de fazer justiça ao bom trabalho do menino, mas é também um ato político pra avisar que encorajamos as pessoas a produzirem e a nos mandarem o que produzem (contato@newyeahmusica.com). Não é todo mundo que tem articulação o suficiente para entrar em um selo ou grana o suficiente para ter uma assessoria de imprensa, mas ninguém precisa de qualquer um desses dois ótimos recursos para ser ouvido por nós.

“Just Can’t Get Enough” (Ric Gordon)

O Ric Gordon é um músico gringo maluco de Missouri (EUA) que eu não sei nem como, nem quando descobriu o nosso site. Fato é que, desde 2013, ele vem mandando e-mails comentando algumas de nossas pautas e sugerindo bandas pra gente. Em janeiro, o selo dele, o Russian Winter Records, mudou de endereço e, na mudança, ele encontrou algumas cópias físicas do seu EP de estreia, então se animou com a descoberta e resolveu relançar o trabalho em formato digital pela primeira vez. O registro original é de 1979 (sim, o Ric guerreia nas fileiras do underground há muito tempo) e é um registro histórico que mostra como o punk rock norte-americano vai muito além daquilo que os almanaques nos ensinaram. Só a história já valeria o play, mas ainda há o clima que só o punk 70 tinha, backing vocals à Ramones e duas guitarras que certamente vão melhorar o seu dia.

“Groove Baixaria” (Projeto Coisa Fina)

Permita-me abrir algumas aspas (release enviado pelo selo Freak; grifos meus). “Projeto Coisa Fina é um grupo instrumental de São Paulo formado por treze músicos: 4 saxofones, 2 trompetes, 2 trombones, piano, guitarra, baixo acústico, bateria e percussão”. “Após participarem do DJazz, (…) nasceu o Sessions – Coisa Fina & KLJAY, formato que funde jazz com Hip Hop e batidas eletrônicas”. “A parceria rendeu um single intitulado ‘Groove Baixaria'”. Obrigado.

Encharcado EP (Ciro e a Cidade)

O Rio Grande do Norte tem se mostrado muito fértil em apresentar música boa nos últimos anos. A bola da vez agora é o grupo Ciro e a Cidade, com seu primeiro EP, enviado a nós por um leitor via inbox. O som do grupo passeia pelo blues, belisca o indie rock e transparece uma clara influência de nomes nordestinos ligados à música romântica. Muitas nuances, uma voz esganiçada e uma qualidade bem incomum para um EP de estreia. Uma bela descoberta para iniciar o ano com o pé direito.

EP Purpurina

Então 2016 acabou mesmo. Sabe o que é mais engraçado? Vocês ficaram tanto tempo chamando 2017 que ele veio todo apressado e seu primeiro mês também já se foi. Logo, logo é Carnaval e o clima pede algo nesse sentido. A lista de hoje é então encerrada pelo festivo EP de Matheus VK, que, entre disco, tecno e pop canta a carnavalização da vida. Transformado em verbo, o Carnaval possui ainda mais significados do que em seu estado original. Interprete como quiser e já comece o ano atiçando a sua criatividade.

Até a próxima!