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Os melhores discos de 2016 na opinião dos selos independentes

Em dezembro, muitas listas devem ter passado pela sua timeline apresentando os melhores discos brasileiros de 2016 segundo a opinião de alguém. Nós, tradicionalmente, também fazemos a nossa lista, convidando os redatores da equipe e mais alguns convidados para votarem e chegarem a um consenso. Neste ano, no entanto, decidimos fazer algo diferente: dispensamos a equipe e convidamos os próprios selos para votarem nos melhores lançamentos do ano passado, dando voz a quem está envolvido de corpo e alma na missão de levar a música aos mais diferentes cantos do Brasil. Ao todo, foram ouvidos 16 selos independentes representando nove estados diferentes da república.

PWR recordsHearts Bleed BluePug RecordsHoney Bomb RecordsSê-loUé DiscosLovely Noise RecordsLezma RecordsSelo FreakHyena TapesSinewave LabelBanana RecordsMonstro DiscosBalaclava RecordsTransfusão Noise RecordsTranstorninho Records

Cada selo pôde votar em 10 álbuns. Cada listagem de 10 discos era então ordenada do primeiro ao décimo lugar e este ordenamento definia uma pontuação aos álbuns listados, onde o primeiro colocado recebia 10 pontos, o segundo recebia nove e assim por diante. O regulamento não proibia que os selos votassem em lançamentos próprios, mas imperou a honestidade e o resultado final dos votos revelou uma lista diversificada e bastante diferente daquelas elaboradas por jornalistas no final do ano passado. Abaixo, a lista dos melhores discos brasileiros de 2016 eleita pelos principais selos independentes do Brasil.

10º Água Batizada (Negro Leo)

Água Batizada - melhores discos brasileiros de 2016
O álbum lançado por Negro Leo em parceria com a Rockit recebeu ao todo 17 pontos, sendo bem ranqueado por dois selos e tendo inclusive sido eleito o melhor disco do ano na opinião do selo Tranfusão Noise Records.

“Eu demorei a entender o som o Leo”, comentou Lê Almeida, que nos enviou os votos do selo carioca. “Água Batizada me pegou estranhamente. Ele me soa como um clássico abstrato perdido pelas ruas do centro do Rio, por momentos de distrações nas madrugadas mais quentes”.

Perdido ou não, o disco mais recente de Negro Leo é também o seu trabalho mais comercial, onde o talento como melodista colocou-se à frente da imagem de gênio criativo mergulhado na experimentação. O resultado foi um disco perfeito para assoviar, ouvir despretensiosamente em busca de achados poéticos, para depois reescutar outras vezes em busca de sacadas sonoras nas curvas das mesmas faixas e de novos sentidos naquelas mesmas palavras.

Tropix (Céu)

Céu, Tropix - melhores discos brasileiros de 2016
A cantora paulista que apareceu em quase todas que elegeram os melhores discos brasileiros de 2016 e chegou a ganhar até um Grammy em 2016 também marcou presença na lista eleita pelos selos independentes, somando 17 pontos e batendo Negro Leo no último critério de desempate: a ordem alfabética.

Desde o seu primeiro álbum, lançado em 2005, Céu passou por diversas mutações muito significativas. Da moça bronzeada malemolente, que cantava armada com batidas fortes e ao mesmo tempo suaves, ela passou pela estrada e pelo vento de Caravana Sereia Bloom (2012) e chegou ao Tropix (2016) vestida para a noite, acompanhada de batidas eletrônicas metalicamente marcadas e pela primeira vez pisando fundo longe da MPB mais tradicional.

Dois selos listaram o disco arriscado da cantora em sua lista, e Leonardo Serafini, do selo gaúcho Lezma Records, lhe conferiu 10 pontos, colocando-o no topo de sua lista particular.

Macaco Bong (Macaco Bong)

Macaco Bong, 2016 - melhores discos brasileiros de 2016
O disco da Macaco Bong distribuído pelos selos Sinewave e +Instrumental marcou a solidificação de uma nova formação da banda.

Sem resvalar, Bruno Kayapy, Daniel Hortides e Daniel Fumega deram ao grupo um de seus discos mais coesos, conversando com uma série de gêneros sem abrir mão de uma identidade bem definida e essencialmente mais pesada do que em seus trabalhos anteriores.

O esforço da Macaco Bong, acrescido da coragem que exige assinar um disco simplesmente com o nome da banda (não se engane achando que isso é falta de criatividade; encare trabalhos assim como se fossem um cartão de visitas), somou 19 pontos e entrou para o top 10 com os melhores discos brasileiros de 2016 eleitos pelos principais selos do país.

Mahmundi (Mahmundi)

Mahmundi, 2016 - melhores discos brasileiros de 2016
O elogiado álbum da Mahmundi passou uma régua em toda a boa produção lançada pela artista até hoje, vindo dos EPs e singles que tanto circularam pela internet desde 2013 e ainda apresentando canções novas tão interessantes quanto aquelas que o público já conhecia.

O trabalho registrou 19 pontos na votação, ficando à frente da Macaco Bong nos critérios de desempate, por ter sido lembrado por um número maior de selos do que a banda instrumental que ficou em oitavo.

Marcus Manzoni, da Ué Discos, colocou o disco no topo de sua lista, destacando o cuidado da produção, assinada pela própria cantora. “Não ouvíamos uma obra tão bem produzida na música independente brasileira há anos”, comentou. “Todas as faixas são encantadoras, numa onda pop noturna que dialoga com o indie/dream pop com extremo bom gosto. Inesquecível”.

III (Rakta)

Rakta, III - melhores discos brasileiros de 2016
A experiência sensorial proposta pelo Rakta em seu disco de apenas seis faixas foi lembrada por quatro selos do juri, acumulando ao todo 21 pontos.

Fábio Bridges, do blog Pequenos Hits Perdidos, chegou a dizer que o álbum era o maior lançamento nacional do ano, ressaltando a força das canções e a peculiaridade que cada faixa possui em termos de formato e arranjo. “A força impressa pelas meninas do Rakta irradia para o ouvinte e o leva a experimentar sensações que vão além do comum/racional”, chegou a comentar.

De fato, o disco é praticamente um ritual tribal em forma de som, onde espaços e profundidades são explorados numa montagem de vanguarda muito ímpar, com direito a ecos que surrealizam vozes e tambores que intensificam tanto os momentos obscuros quanto as passagens místicas mais abertas. Um trabalho historicamente preso a 2016, mas que ecoará por algum tempo e certamente dará origem a muita coisa tão transgressora quanto nos próximos anos.

Princesa (Carne Doce)

Princesa, Carne Doce - melhores discos brasileiros de 2016
Uma das bandas mais comentadas pela imprensa especializada ao longo de 2016, a Carne Doce foi também lembrada por quatro selos do júri, acumulando 22 pontos e faturando o quinto lugar na listagem geral dos melhores discos brasileiros de 2016.

Nas listagens particulares, sua melhor colocação foi o primeiro lugar na lista do selo Banana Records. “Esse disco foi unanimidade entre as pessoas da nossa equipe”, nos escreveu o selo. “Além de ter uma sonoridade única, o disco conta com uma participação feminina e selvagem marcante, característica que todos do nosso selo amam”.

Com uma performance impecável da vocalista Salma Jô, a banda goiana apresentou ao público em seu segundo disco um conjunto de canções onde o experimentalismo serve como plano para um discurso afiado que dialoga com conceitos sociais muito pertinentes e que estiveram entalados na garganta de muita gente, principalmente desde o levante conservador iniciado no país em 2014.

Bilhão (Bilhão)

Bilhão, 2016 - melhores discos brasileiros de 2016
O curto (tem apenas 25 minutos de música) e eficiente registro homônimo do grupo Bilhão somou ao todo 28 pontos, além de ter despertado no nosso júri a discussão sobre quando um disco deixa de ser um simples EP.

A melhor colocação nas listas particulares aconteceu na listagem do selo gaúcho Honey Bomb Records, que o colocou no posto de melhor disco nacional do ano que passou. “Há uma sinceridade e uma simplicidade muito boa nessas sete faixas”, escreveram os meninos do selo. “Curtimos a estética e a produção do álbum e criamos um laço com ele por ser um disco que combina muito com a estrada, sendo sempre ótimo de escutar num trajeto terrestre”.

Em linhas gerais, é um disco ensolarado, com letras verbalmente simples e com instrumentais soltas que correm sem interrupções (talvez por isso seja um bom disco pra se ouvir durante uma viagem), passando por temas despretensiosos, paisagens amenas, vocalizações pops e estradas imaginárias em um clima bem on the road.

Lado Turvo, Lugares Inquietos (maquinas)

Lado Turvo, Lugares Inquietos
O selo Bichano Records encerrou as suas atividades em 2016, mas antes disso ajudou a trazer ao mundo um dos melhores discos nacionais do ano passado em parceria com o selo Transtorninho: a estreia em full álbum da banda maquinas. Este segundo selo, inclusive, falou bastante sobre o disco quando nos enviou a sua votação.

“O disco foi um tiro”, escreveram. “São seis músicas repletas de ruído e distorção, ambiências, dissonâncias e música torta da melhor maneira possível. A mistura do noise com post-rock, shoegaze e todo o repertório de referências sonoras da banda logo os colocou nos pilares de uma espécie de cena: uma reunião de pessoas dispostas a descobrir que as melhores bandas podem e estão na cidade delas mesmas”.

O trabalho do grupo foi bem lembrado em listas de outros veículos no Brasil, rodou bem pela crítica estrangeira e acumulou 28 pontos entre o júri dos selos, batendo o Bilhão no critério de desempate, por ter sido citado por um número maior de votantes.

Saboroso (Raça)

Saboroso, Raça - melhores discos brasileiros de 2016
O segundo disco do Raça foi lembrado por seis votos do júri, acumulando 34 pontos, o suficiente para  alcançar o posto de segundo melhor disco lançado no Brasil em 2016 na opinião dos selos independentes.

O selo paulista Freak, que o colocou em primeiro lugar na sua lista particular, descreveu o trabalho como um registro que apresenta “energia e veracidade que cativam o público”.

Como bem lembrou o selo, Saboroso também é composto por faixas instrumentalmente simples, carregadas de momentos de contemplação e recheado de letras que se destacam pela profundidade do discurso. “Saboroso está no topo da nossa lista, pois acreditamos no seu alcance e sabemos que esse disco ainda vai render bastante visibilidade para a banda em 2017”, comentaram.

O trabalho ainda foi lembrado em primeiro lugar pelo selo mineiro Pug Records e pelo selo feminista PWR Records, que destacou a simplicidade e a leveza encantadora das faixas, que, segundo as meninas, dispensam análises mais técnicas.

MM3 (Metá Metá)

MM3, Metá Metá - melhores discos brasileiros de 2016
Um dos discos mais celebrados o ano passado (com direito a matéria de 16 jardas na Pitchfork) foi também o que mais somou pontos entre o nosso júri, sendo lembrado por oito votos. Portanto, eis o melhor disco nacional de 2016 na opinião dos selos independentes brasileiros.

Como comentou o selo paranaense Hyena Tapes, “o Metá Metá é um trio que a cada álbum mistifica ainda mais o seu nome e a sua discografia. Sua raízes vêm de todos os lados. Essa música é louvor, é pergunta, é grito, é revolta, é afropunk, é guitarrada refletindo assim o cenário nacional, político e musical. MM3 ocupou o lugar daquilo que esperava-se que o rock faria e que não fez”.

O disco distribuído pelo Laboratório Fantasma foi ainda lembrado pelos selos PWR, Honey Bomb, Pug, Sê-lo, Sinewave e Lovely Noise, somando 48 pontos e confirmando de vez a posição de destaque do grupo dentro do cenário independente atual.

Outros discos que também foram lembrados

Posição Disco Banda Obs. Pts.
11º Disco Demência Hierofante Púrpura 17
12º Essa Noite Bateu com um Sonho Terno Rei Disco do ano segundo a Balaclava Records 16
13º Vida Que Segue Não ao Futebol Moderno 16
14º O Mesmo Mar Que Nega a Terra Cede à Sua Calma Bruna Mendez 15
15º Blanka Poltergat 14
16º Duas Cidades Baiana System 13
17º The Wrong Side of Chore Baztian 13
18º Cuscobayo Cuscobayo 13
19º Um Tempo Lindo Para Estar Vivo El Toro Fuerte 13
20º Gehenna Labirinto 12
21º Beijos Filipe Alvim 12
22º Overseas Justine Never Knew The Rules Disco do ano segundo a Lovely Noise Records 11
23º Curado Hurtmold & Paulo Santos 11
24º Phew! – The Last Guide for a Western Obituary Marcela Lucatelli, Marcos Campello e Márcio Gibson Disco do ano segundo o Sê-lo 10
25º Deus e o Átomo Medulla Disco do ano segundo a Hearts Bleed Blue 10
26º Brutown The Baggios Disco do ano segundo a Monstro Discos 10
27º CHA Catavento 10
28º Miocárdio Barro 9
29º Pops Emciaeli 9
30º Amor Só De Mãe Giallos 9
31º Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui Hateen 9
32º IJEX∆ FUNK ∆FRØBE∆T Ifá 9
33º Boogie Nights Mano Brown 9
34º Ascensão Serena Assunção 9
35º Melhor do que Parece O Terno 9
36º Pedro Ombu 9
37º Antes Que Seja Tarde Clemente e a Fantástica Banda Sem Nome 9
38º Queda Livre Jonathan Tadeu 9
39º Cupin Cupin 8
40º Audio Generator Devotos DNSA 8
41º Adiante Necro 8
42º Rumbo Reverso II Rumbo Reverso 8
43º QCF1P Shannn 8
44º Endless Roads Sketchquiet 8
45º Cosmograma Cosmo Grão 8
46º Presença SLVDR 8
47º O Futuro dos Autoramas Autoramas 7
48º Life is Movement Born to Freedom 7
49º Escorrega Mil Vai Três Sobra Sete Frank Jorge 7
50º Crocodilo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes 7
51º O Novo som do Beiradão Marcia Novo 7
52º S/T Tuyo 7
53º Mercurial Black Sea 7
54º Negative Sun Firefriend 7
55º Arco e Flecha Iara Rennó 6
56º No Rewind Kill Moves 6
57º Zep Tepi Kubata 6
58º Encabeçando Marcio Oliveira 6
59º Enquanto Não Durmo o Dia Não É o Mesmo Melinna 6
60º Foda! Valciãn Calixto 6
61º Vish Maria Vish Maria 6
62º Japão Ale Sater 5
63º Devastação Buraco Negro 5
64º Configuração do Lamento Deaf Kids 5
65º Andando Sem Olhar Pra Frente Fernando Motta 5
66º Peyote Hellbenders 5
67º Punk José Joseph Little Drop 5
68º Enigmascope Vol.1 Retrofoguetes 5
69º O Ministério da Colocação Séculos Apaixonados 5
70º Waterland The Galo Power 5
71º Lapso Trem Fantasma 5
72º 1 Vigárioz Crod Alien 5
73º X-Mas City Boardwalk Riders Bear Fight 4
74º Blear Blear 4
75º Black Water Cattarse 4
76º Medo da Astrologia Concreto Morto 4
77º Monstro DeFalla 4
78º Todas as Brisas Lê Almeida 4
79º Lineker Lineker 4
80º Songs of Wood & Fire M O O N S 4
81º Hoje foi um dia fantástico Monza 4
82º Pineal Tagore 4
83º Em Uma Missão de Satanás Zumbis do Espaço 4
84º Soltasbruxa Francisco, el Hombre 4
85º Xóõ Xóõ 4
86º Not Count For Spit Acruz Sesper 3
87º Solve et Coagula Black Witch 3
88º Samba de Gira Bongar 3
89º Caos Caos 3
90º Fantomaticos III Fantomaticos 3
91º MAR FingerFingerrr 3
92º Cobra Coral Luiza & Os Alquimistas 3
93º Lokura Plena Bombo Larai 2
94º Lanches Brvnks 2
95º Black Bile Giant Gutter From Outer Space 2
96º Tattoo You Royal Dogs 2
97º Outra Esfera Tássia Reis 2
98º Step Psicodélico Tatá Aeroplano 2
99º Chanti Alpïsti Trombone de Frutas 2
100º Birdtraps Two Places at Once 2
101º S/T Fibonattis 1
102º Animania INKY 1
103º High Inner Kings 1
104º A Gente só se Fode! Os Cabeloduro 1
105º Morte & Vida Paula Cavalciuk 1
106º Levaguiã Terê Vitor Araujo 1


Critérios utilizados: 16 selos listaram 10 álbuns cada, ordenando-os do primeiro ao décimo. As 16 listas foram reunidas e utilizadas como base para a criação de uma pontuação, considerando que cada disco colocado em primeiro ganhava 10 pontos, cada disco colocado em segundo ganhava 9 pontos e assim por diante até chegar no décimo colocado, que recebia um ponto. As pontuações de todas as listas foram somadas e deram origem à pontuação geral. Para desempatar discos com pontuação idêntica, foram usados três critérios de desempate, pela ordem de aplicação: a) número de selos que citaram o disco; b) melhor colocação alcançada pelo trabalho em uma lista particular; c) ordem alfabética.