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Lupus Lindemann, vocalista do Kadavar

Kadavar: barulho fino que dispensa telão e pirotecnia

Os alemães do Kadavar voltaram ao brasil para sua segunda turnê no país, cerca de três anos depois de sua estreia por aqui. Na época da primeira passagem, o grupo veio com os temas de seu terceiro disco, Berlin (2015). Agora, após dezenas de aparições em festivais de hard psych pelo mundo, foi a vez de apresentar ao público brasileiro o disco Rough Times (2017), alardeado no exterior como o trabalho mais maduro do grupo desde a sua estreia.

Lupus Lindemann, vocalista do Kadavar

Lupus Lindemann, vocalista do Kadavar: penteado e entrosamento coletivo em dia. Foto por Emanuel Coutinho.

Pontualmente às 18:00 horas, o Disaster Cities abriu os trabalhos no Fabrique Club, na Barra Funda, com o show de lançamento do seu álbum LOWA, divulgado recentemente pelo selo Abraxas Records. Com um som bastante apoiado nas texturas de guitarras, nas linhas de baixo e nas camadas de teclas, o grupo desfilou alguns bons minutos de música aliando boa execução ao vivo e um timing perfeito que evitou que o som se perdesse em firulas. Na sequência, coube ao grupo paulista Grindhouse dar continuidade à noite. Com linhas mais densas, que beiravam um seco “blues motociclista”, os caras fizeram um show competente e prepararam bem a plateia para o estrago que viria no show principal.

Disaster Cities

Disaster Cities: banda anfitriã da noite apresentou o seu novo disco, lançado recentemente pela Abraxas Records. Foto por Leandro Wissinievski.

O Kadavar é uma das maiores referências quando o assunto é colocar um som que faça o seu vizinho chamar a polícia, e o show no Fabrique Club fez jus à fama. O grupo liderado pelo guitarrista e vocalista Lupus Lindemann – que conta ainda com Christoph “Tiger” na bateria e Simon “Dragon” Bouteloup no baixo – o teve uma noite protocolar, e isso não costuma ser pouco neste caso. Sempre com embates instrumentais muito bem construídos, cortesia de um trio no ápice de seu entrosamento, a banda destilou alinhamento em canções como “Black Sun” (2012), “Doomsday Machine” (2013) e “Pale Blue Eyes” (2015). Houve ainda espaço para uma versão de “Purple Sage”, que relembrou a pegada ouvida no split White Ring, lançado em parceria com o Acqua Nebula Oscillator em 2012.

Grindhouse

Grindhouse: o segundo show da noite teve um pouco de tudo o que aconteceria dali em diante no show principal. Foto por Leandro Wissinievski.

Enquanto Simon surpreendia os fãs mais devotos tocando com um baixo diferente do seu habitual e Lupus se quebrava em mil para dar conta de riffs, solos e vocais, Tiger segurava a onda em uma noite especialmente inspirada. A figura de um cara com mais de dois metros de altura inquieto atrás de seu kit foi uma aula para todo baterista que busque se aperfeiçoar dentro da linha Corky Laing de qualidade.

No fim do dia, a energia do grupo foi o que ficou como mensagem maior. Tratado pelo blog da SXSW como um dos expoentes atuais que dão continuidade à tradição alemã na música pesada, o Kadavar provou ao vivo outra vez ser digno de tal alcunha, tanto pela sonoridade apresentada quanto pelo formato do show, bastante simples e centrado nos músicos. Afinal, é importante que se diga, a tradição alemã também passa pela forma como a música é executada sobre o palco, com a música no centro do espetáculo ao invés de simplesmente integrar um circo onde as luzes aparecem mais do que a banda em um palco de pé direito com a altura de um arranha-céu.