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Luz, câmera e um milhão de cores: até hoje impressiona imaginar que Gram Parsons foi aceito pelo circuito country tradicional usando um traje com tantas figuras estampadas.

Toda a elegância do homem que inventou o country rock

Na Los Angeles dos anos 60, o barato era ser hippie e curtir as viagens da efervescente cena psicodélica. Uma das expressões máximas desse estilo de vida era o space rock do grupo The Byrds, capitaneado pelo guitarrista Roger McGuinn. A banda se utilizava de elementos da música folk, mas quase sempre em um contexto lisérgico. Até então, boa parte da country music americana era dominada pela caipirice reacionária e seus padrões adequados ao gosto do público velho que mastigava capim. Mas um músico uniu esses dois universos tão distantes (psicodelia x country), concebendo a gênese do que hoje conhecemos como country rock. O nome do homem: Gram Parsons.

Luz, câmera e um milhão de cores: até hoje impressiona imaginar que Gram Parsons foi aceito pelo circuito country tradicional usando um traje com tantas figuras estampadas.

Luz, câmera e um milhão de cores: até hoje impressiona imaginar que Gram Parsons foi aceito pelo circuito country tradicional usando um traje com tantas figuras estampadas.

Filho de uma família abastada da Flórida, Gram Parsons chegou à Califórnia nos anos 60 para cursar a universidade de Harvard, mas abandonou os estudos para se dedicar integralmente à sua International Submarine Band, o primeiro grupo de cabeludos a conseguir tocar no circuito de country tradicional da região. Este feito inusitado atraiu a atenção do instrumentista Chris Hillman, integrante do já afamado The Byrds. Então Hillman convenceu o líder do Byrds, Roger McGuinn, a incluir Parsons na banda.

O ácido era a praia de Gram Parsons, mas, musicalmente, ele trazia uma bagagem diferente dos roqueiros com quem cruzava em solo californiano. Resultado: com ele na formação, o som dos Byrds mudou bastante e ganhou um ar mais caipira. Em 1968, o grupo registrou o álbum Sweetheart of the Rodeo, considerado desde o seu nascimento o primeiro grande marco do country rock.

Mas tudo durou muito pouco, porque McGuinn era um cara difícil. Por causa de divergências internas, Parsons largou os Byrds, seguido por Hillman. Juntos, os dois “desertores” formaram os Flying Burrito Brothers, ao lado de Chris Ethridge (baixo) e “Sneeky” Pete Kleinow (pedal steel guitar). A proposta do novo conjunto era fazer um “country cósmico” onde o estilo caipira ancestral americano se fundisse ainda mais com todos os diversos gêneros musicais que habitavam o repertório da juventude naquela época de contracultura. O objetivo foi atingido no disco The Gilded Palace of Sin.

O disco traduzia o country tradicional para o idioma do rock psicodélico nas parcerias de Parsons com Hillman (“Christine’s Tune”, “Sin City”, “Wheels”) e Ethridge (“Hot Burrito #1 & #2”).

Ainda havia espaço para releituras que cobriam do gospel (“Hippie Boy”) ao soul (na versão do hit de Aretha Franklin, “Do Right Woman – Do Right Man”).

Na época do lançamento, em 1969, o disco não passou da posição #164 na parada norte-americana, mas acabou influenciando muita gente que veio depois, tanto que acabou sendo reeditado em CD diversas vezes.

Depois desse disco, Gram parou de se dedicar ao grupo. Na época, ele consumou uma aproximação com os Rolling Stones – “Wild Horses” e outros hits do grupo inglês na época tiveram uma mãozinha do guitarrista. Parsons ainda gravou mais dois álbuns solo (GP e Grevious Angel), antes de morrer de overdose em 1973, aos 26 anos (um a menos do que pedia o manual).

Melhor assim: ao invés de integrar listas ao lado de outras lendas urbanas, adormeceu no catálogo dos heróis criativos que ajudaram a quebrar as barreiras da música nos anos 60. O homem que disse não à Harvard porque preferiu mostrar ao mundo que o sotaque caipira também poderia ser contracultural.