....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... .......................
Compre online

Browse By

jaloo

Festival Enxame: consolidando parcerias e conectando cenas na serra gaúcha

A união entre produtores culturais da serra gaúcha deu recentemente vida a um sonho antigo da cena local: a realização de um festival multicultural independente que ainda não existia em uma das regiões mais culturalmente ativas do Rio Grande do Sul. Em um momento de enxugamento de recursos públicos e sucateamento da cultura no estado, mais uma vez a coletividade surge como ferramenta para driblar a adversidade e tentar dar passos à frente mesmo em meio ao temporal. O Festival Enxame surge nesta ambiência.

Festival anunciado em setembro já tem ingressos à venda neste link.

Festival anunciado em setembro já tem ingressos à venda neste link.

O selo Honey Bomb Records, a produtora cultural Tédio e a produtora audiovisual 1Quarto unem forças há algum tempo na região serrana do Rio Grande do Sul. Entre shows, conteúdos disponibilizados na web e parcerias de bastidores, as três partes construíram uma parceria que começou no plano espiritual, traduziu-se em trabalho e logo depois se materializou em proximidade física literal, quando as três resolveram se unir fisicamente e tocarem as suas atividades compartilhando o mesmo espaço na casa Paralela. Essa proximidade criou condições para a organização do Festival Enxame, embora a ambiência do festival como um todo esteja sendo construída há anos, a partir de um trabalho de formiga (ou de abelhas), conforme o próprio Jonas Bender Bustince (Honey Bomb Records) nos contou no papo que tivemos.

NEW YEAH: como vocês vêem hoje a cena de produção no estado? Como sentem que o cenário possibilita as conexões regionais e nacionais? Elas parecem ser a coluna vertebral do Festival Enxame.

JONAS: a gente gosta muito muito do cenário atual em que o estado se encontra. Muitas bandas boas surgindo, novas iniciativas e novos espaços. Temos uma parceria forte com outros festivais, como o Morrostock, por exemplo. Essas conexões dependem de um processo para ocorrerem, porque não podem ser algo forçado. Os agentes vão trocando e vão trabalhando em conjunto, conforme as ações e as demandas de cada um vão surgindo. A Marquise 51, produtora por trás do Morrostock, é um exemplo pra gente porque são um coletivo de produtores se unindo em torno de um grande projeto. É parecido com o que estamos fazendo aqui com a Paralela. Além disso, aqui na serra surgem bandas boas autorais e agitadoras em cidades como São Marcos, Canela e Bento Gonçalves. Conexões fora do estado existem muitas e até fora do país. A melhor forma de aproveitar tudo isso é justamente poder consolidar esses encontros num festival local. A manager do Jaloo foi uma pessoa que conheci viajando pra Goiânia e pra São Paulo. Também vai ter gente que virá por conta de conexões feitas em Brasília e Curitiba. Já a Supervão aparece representando a nossa união com o selo Lezma Records. Enfim, o lineup da primeira edição já reflete de alguma forma esses rolês que demos pelo Brasil nos últimos anos.

Jonas (à esquerda) em painel do último Festival Brasileiro de Música de Rua: o Enxame é resultado de uma série de conexões que ninguém sabe ao certo quando começou e nem ao certo onde pode parar.

Jonas (à esquerda) em painel do último Festival Brasileiro de Música de Rua: o Enxame é resultado de uma série de conexões que ninguém sabe ao certo quando começou e nem ao certo onde pode parar.

NEW YEAH: quando o festival começou a ser anunciado, ainda sem qualquer atração confirmada, a página do Enxame no Facebook deixou claro que seria um evento em um lugar mais retirado, rodeado pela natureza e tudo mais, o que é um pilar básico de outros festivais, como o próprio Morrostock ou mesmo o Acid Rock, que também acontece no Rio Grande do Sul. Por que vocês acham que cada vez há mais festivais indo para lugares afastados da cidade; indo para o meio do mato, literalmente?

JONAS: a ideia do local surgiu nesse ano, quando fui ao um show da Cuscobayo em um camping. O evento foi organizado pela própria responsável pelo local. A partir dali, surgiu uma relação com o espaço e com essa pessoa, passei a frequentar o lugar nos finais de semana, acampei lá… além do lugar ser extremamente lindo e a gente ter uma relação de parceria com a dona, que gosta de música e costuma alugar o espaço pra raves e outros eventos, a localização é muito boa. O Cheiro de Mato Eco Camping fica exatamente na metade do caminho entre Caxias e São Marcos, na BR 116. Isso é simbólico, já que essa estrada nos conecta com o Brasil todo. Nesse ano, sofremos com a proibição de não podermos fazer shows na Paralela, então ficamos órfãos de shows nesses últimos meses. O festival acaba sendo também uma forma de desaguar tudo o que não produzimos nesse período. Vale considerar ainda que não teremos problemas com vizinhos, já que o festival ocorre no “meio do mato”. Isso não quer dizer que não produziremos eventos e outros festivais na parte mais urbana da cidade. Era só uma demanda que percebíamos que existia, a de explorarmos esse lado de Caxias que a maioria das pessoas não conhece. Temos natureza exuberante assim como qualquer outra cidade da serra, mas aqui tudo fica muito focado na indústria e na cidade. É o lado paradisíaco da nossa cidade. Vai ser uma experiência legal pra quem é daqui presenciar um festival desses nesse lindo lugar.

NEW YEAH: acho que isso já responde mais ou menos o que eu iria perguntar agora. Em relação às ofertas de festivais que já existem no estado, qual a lacuna que vocês acreditam estar preenchendo com esse evento?

JONAS: eu sou do time do “quanto mais melhor”. Isso cria uma cultura de festivais na galera e todos ganham com isso. É claro que alguns festivais têm semelhanças, mas isso também é natural porque eu identifico uma rede surgindo aqui no estado também. A peculiaridade do Enxame é justamente a região onde ele acontece. Na serra. Existem festivais cercados de natureza como o Pira Rural, o Acid Rock, o Morrostock e o próprio Meca, quando ele rolou em Maquiné, mas cada um com a sua paisagem e as suas características. O nosso fest vem pra somar e pra agregar nisso, pra mostrar nessa primeira edição uma parcela do que de mais interessante está rolando musicalmente na região, além de poder gerar intercâmbios, trazer outros produtores de festivais, bandas de outra regiões do estado e também do país. É apenas um dia de evento e o valor do ingresso tá bem em conta. Queremos que a galera da capital e de outras regiões venha pra cá e conheçam a gente, por isso estamos preparando coisas bem exclusivas, como o show do Jaloo, que vai ser o único dele no sul do país nessa época.

Catavento, Salve Jurema, Supervão, Jaloo, Mari Martinez & the Soulmates e Cuscobayo: "as novas gerações estão cada vez mais abertas, ouvindo de tudo".

Catavento, Salve Jurema, Supervão, Jaloo, Mari Martinez & the Soulmates e Cuscobayo, algumas das atrações do Festival Enxame: “as novas gerações estão cada vez mais abertas, ouvindo de tudo”.

NEW YEAH: no ano passado, muita gente criticou alguns festivais por “não terem uma cara” e apostarem em atrações muito diferentes na mesma edição. Olhando para o Enxame, vimos que ocorreu uma mescla interessante no lineup, diversificada, pouco óbvia e ao mesmo tempo coerente. Qual foi o critério de vocês na curadoria das atrações até aqui?

JONAS: o Enxame já é um festival que nasce carregando a bandeira do hibridismo. Não só musical, mas estético e comportamental. A gente nota que as novas gerações estão cada vez mais abertas, ouvindo de tudo. A nossa identidade vai refletir no público que receberemos no festival. A curadoria foi feita pelo selo Honey Bomb, que logicamente vai aproveitar o festival como plataforma de apresentação das bandas que ele lança. Acaba tendo uma pegada rock alternativo, psicodelia, pop, folk, soul, fusões com música eletrônica e até reggae. Vamos apresentar bandas para o público e também aproveitar bons artistas que têm público e se destacam atualmente, seja em pertinência, em qualidade de produção ou em circulação. Tem autenticidade e uma diversidade boa de gêneros em todos os sentidos.

NEW YEAH: por fim, o que as pessoas podem esperar da primeira edição do Enxame?

JONAS: a função tem sido bem intensa, mas é muito bom estar dividindo todas as demandas com a Tédio e a Paralela. Ficamos todas as tardes reunidos em cima disso com muito amor e envolvimento. Cada um dando o seu melhor dentro de suas habilidades. Estamos vivendo isso 24 horas por dia! Temos muita consciência de que essa é a primeira edição, então é uma semente que estamos plantando. Esperamos que as pessoas tenham uma bela experiência, que o festival seja um aprendizado para todos os envolvidos, que a sustentabilidade se concretize e, principalmente, que isso tudo deixe uma marca e um legado pra todos nós e pra a região.

Os ingressos para o Festival Enxame já estão à venda neste link. Para você ir se aquecendo, o pessoal da organização montou uma playlist com as atrações já confirmadas; você confere ela neste link. Mais informações e novidades podem surgir a qualquer momento, então vale acompanhar a página do festival do Facebook.