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Edu K em versão drag. Foto por Félix Zucco.

Edu K: “se Bowie é meu pai, RuPaul é minha mãe, e vice-versa”

“No ano de 1968, eu caí como uma bomba sobre a cidade Porto Alegre”, dizia a frase inicial de um video-teaser que recebi no início do mês promovendo a mais nova turnê de Edu K. As frases e imagens que vinham depois disso no vídeo apresentavam um pouco do currículo do “menino”, entre discos, shows e bastidores ao longo de pelo menos três décadas de produção constante. Bastante informação, mas aquela primeira frase, especialmente a palavra “bomba”, continuou soando na minha cabeça, anulando todo o resto. De fato, nada no Edu K é mais marcante do que o seu caráter destrutivo. Ele e a sua obra sempre tiveram essa vocação para transformar paredes em escombros.

Edu K em versão drag. Foto por Félix Zucco.

Edu K: a face drag que sempre permeou o trabalho do ex-líder do DeFalla finalmente sentou na sala e colocou os pés sobre a mesa. Foto por Félix Zucco.

Foi o ímpeto de destruição que fez Edu criar o DeFalla em algum lugar dos anos 80: aquele filho degenerado do rock brasileiro, que já nasceu rindo da cara do pai, misturando coisas aparentemente distantes, trincando a sacralidade do gênero e inaugurando um paganismo que viria a ser o tom de quase toda a produção nacional relevante na década seguinte. Ironicamente, o mesmo instinto de wrecking ball o levou também a pular fora da banda quando notou que o DeFalla havia se tornado um nome “clássico” e que, de alguma forma, os fãs esperavam do grupo justamente a repetição das fórmulas antigas de destruição. E quanta ironia esperar saudosismo de alguém que não enxerga as coisas como duradouras. Edu tem a pior opinião para se ouvir quando a intenção é manter as velhas opiniões em voga. Foi essa a essência dos melhores dias do DeFalla, e é essa a essência que ele agora transporta para o Lipstick Jungle EP, seu novo trabalho solo, onde ele encarna uma drag queen, outra vez caindo como uma bomba sobre um punhado de discussões muito atuais.

Achei que seria interessante falar com ele para entender melhor como todo esse fluxo aconteceu, do fim do DeFalla ao mergulho fundo no glitter. O resultado foi uma das entrevistas mais legais, cheia de assuntos paralelos, que já fiz nos quatro anos à frente do New Yeah. No fim, ele ainda pediu para que, apesar da bagunça, eu tentasse editar o menos que pudesse (“deixe a verborragia, do entrevistador e do entrevistado, jorrar na cabeça de geral mesmo, sem corte, sem edição, num desafio aos zumbis DDA modernos”). Segui a dica, porque achei que seria justo com o caos que ele sempre propôs na sua vida e na sua obra. Vida e obra que, no fundo, são rigorosamente a mesma coisa.

NEW YEAH: tu és o Edu K desde 1981, mas só agora, na divulgação do novo trabalho, a gente percebe uma dedicação especial tua em fazer um apanhado geral da carreira, evidenciar a influência que tu tiveste sobre determinados artistas e, enfim, oferecer uma narrativa mais ou menos lógica ao puro caos que sempre te caracterizou nesses 36 anos (esse teor de revisitação, inclusive, fica bem claro no video-teaser da nova tour). Por que você decidiu fazer esse apanhado agora? Além disso, tu descobriste algo sobre a tua própria carreira fazendo esse exercício?

EDU K: a morte da charada é justamente o video-teaser, haha. Na real, eu fiz esse vídeo pros contratantes de show saberem mais sobre mim, pra valorizar a marca mesmo. Não teve esse caráter edu(k)acional pra geral. Não teve tanto essa intenção de revisitar e tentar compreender a minha carreira mas, sim, até eu mesmo acabei me surpreendendo com o tanto de coisa que já fiz. Olhando assim, com perspectiva e cronologia, é coisa pra caralho, haha.

NEW YEAH: e um bom pedaço disso tudo está  ligado à tua produção com o DeFalla, né? Banda que recentemente acabou de vez. Por que a banda não continuou junta em 2017 depois de ter uma volta tão comemorada, inclusive com lançamento de um disco depois de vários anos sem material inédito?

“Tive o choque e a surpresa de perceber que o publico preferia um DeFalla saudosista, apegado ao seu passado e à sua história, a um DeFalla moderno, atuante, engajado com os tempos atuais. Isso me deixou, literalmente, de cama”.

EDU K: o DeFalla “voltou” em 2011, participando do show “Discografia do Rock Gaúcho”. Voltou entre aspas porque durante o hiato de quase 15 anos, onde cada um foi fazer suas coisas (eu, no caso, fui cometer os “sacrilégios” que cometi em nome do DeFalla, haha, como a “Popozuda Rock’n Roll”, minha música mais odiada e, ao mesmo tempo, mais amada), a banda nunca se pronunciou oficialmente a respeito de um fim, até a decisão de, realmente, pôr um ponto final em nossas atividades, há um ano atrás, mais ou menos. De 2011 até 2015, passamos pelo longo processo de gestação do nosso, literalmente, último álbum, o Monstro. O disco, que considero um de nossos melhores, infelizmente saiu num dos momentos mais conturbados do nosso país, o impeachment da Dilma, e acabou passando meio batido. Depois disso, enfrentamos uma das maiores crises que o Brasil já viveu e a “volta” da banda acabou não virando. Além disso tudo, tive o choque e a surpresa de perceber que o publico preferia um DeFalla saudosista, apegado ao seu passado e à sua história, a um DeFalla moderno, atuante, engajado com o “aqui agora”. Isso me deixou, literalmente, de cama. Me senti preso, impedido de fazer o que sempre fiz, que é ir adiante sem olhar pra trás. Uma percepção que sempre tive se confirmou. As pessoas realmente nunca entenderam a essência do DeFalla, o caos e a liberdade.

NEW YEAH: o teu trabalho atual é talvez o “mais gaúcho” dos teus lançamentos em muito tempo. Embora o EP passeie por diversas faces e beba de influências nada regionais, acho que é o teu primeiro trabalho solo a contar apenas com músicos da cena gaúcha na gravação. Além disso, o trabalho é publicado em parceria com um selo independente do Rio Grande do Sul, com agenda de lançamento no Bar Ocidente, um dos mais tradicionais de Porto Alegre. Esse “retorno para casa” depois de correr o mundo (literalmente) foi intencional?

EDU K: olha, primeiramente eu sou que nem o Peninha Bueno. Sou gaúcho, mas não sou praticante, haha. Depois, o disco só é gaúcho pelas questões, praticamente geográficas, que tu mesmo levantou. Foi realmente gravado com um time de músicos da terra e lançado por um selo daqui também, que, por sinal, considero um dos maiores selos do país, sem bairrismos, haha! E minha volta pra Porto Alegre não teve qualquer aspecto romântico de “filho prodígio volta à casa”. A realidade é que eu estava quebrado mesmo, meio sem rumo, depois que torrei todo o cachê que recebi pela minha participação no reality show A Fazenda. Num primeiro momento, fugi da pobreza que passou a dominar minha vida, larguei tudo, literalmente, e fui cuidar da casa de uma ex enquanto ela viajava pela Europa. Quando ela voltou de viagem, só me restou voltar para a casa dos meus pais, em Porto Alegre. De saco cheio de tudo, depois de mais uma persona/projeto que deu com os burros n’água (geral acha que vida de artista é só alegria e putaria, né? Não neste país – pelo menos não no caso da alegria, haha), eu tinha, mais uma vez (não foram poucas), desistido da música, do show business, dessa baboseira toda, na qual, se me deixassem, enfiava a cara e me lambuzava todo! Mas, já instalado em Porto Alegre de novo, entra em cena o meu amigo e parceiro de várias, o Z, que me chamou pra morar com ele e tocar guitarra na nova banda do legendário fundador das bandas clássicas M16 e Pupilas Dilatadas, o Eduardo Branca. Daí foi um passo pra voltar com meu trampo solo e começar tudo de novo, mais uma vez. Alguém aí falou em “Groundhog Day”?

NEW YEAH: tu és parte de uma geração de artistas gaúchos que transformou Porto Alegre em uma “cidade alternativa”. Tu sentes que essa vibe ainda existe sobre a cidade? Porque, por mais que sempre exista gente nova e a própria herança da geração 70/80 ainda seja visível em diversos aspectos, o conservadorismo (até então mais presente no interior do estado) parece ter tomado a capital de assalto nos últimos tempos. Como tu enxergas esta questão?

EDU K: o conservadorismo e a direita selvagem não são exclusividade de Porto Alegre, ou do Brasil: Trump tá aí pra corroborar minha afirmação! Eu vi essa onda nefasta se erguendo no horizonte, já faz um bom tempo. Vejo isso como algo necessário pra acordar as pessoas. Esse soco na boca do estomago tá tirando o povo da zona de conforto, a indignação tá gerando movimento, e esse é, na verdade, um momento bonito de ser ver, por mais asqueroso que seja. Quando o povo do MBL ataca, eles estão chacoalhando nossas jaulas, nos obrigando a responder, a nos organizar e, isso, eu não acho ruim. Mas, na outra questão levantada pela pergunta, não acho que minha geração tenha transformado POA numa cidade realmente alternativa.

NEW YEAH: não?

EDU K: não, porque essa “cara alternativa” era a única coisa que se tinha na época. Tinha um cenário e esse era o único onde podíamos atuar. Hoje, os tempos são outros! Hoje, a conectividade mudou a face da terra, os costumes, as convenções. Já não existe mais “o alternativo”. Existem “as alternativas”. E POA vai muito bem das pernas, obrigado, haha! Vejo uma cena variada, organizada, com público cativo, onde brilham Bordines, Nacional Riviera, Baby Budas, Erick Endres, Motorcavera, Destroyers (uma girl band da qual faço parte agora, na guitarra), dentre tantos outros grupos. Além disso, espaços novos como o Agulha, o Bate e as inúmeras festas de rua da cidade. O underground de ontem é o mainstream de amanhã, sempre. É um processo natural e saudável.

NEW YEAH: o teu novo EP tem uma canção chamada “Dando no Meio” que diz “se é pra chegar, a gente chega arrasando”; e tem uma frase muito clássica tua no livro Gauleses Irredutíveis que diz “meu negócio é ir até o fundo do poço e voltar cuspindo merda”. Essas duas frases resumem mais ou menos a forma como tu enxergas as tuas referências? A forma como tu te comportas, artisticamente falando? Porque não me lembro de ter te visto “flertar” com algo ao longo da carreira. O teu envolvimento com diferentes estilos, posturas e convicções foi sempre bem visceral.

EDU K: pra começar, não existe comportamento artístico pra mim. Minha vida é minha arte. O que se vê é o que se é. Mas sim, sempre me joguei de cabeça no penhasco, sem rede de proteção, sem garantias e, principalmente, sem lenço, sem documento, nada na cabeça ou nos bolsos, haha. Se é pra fazer, que seja uma explosão atômica, que seja a foda do século, que seja aquele momento que rasga um furo na malha da cueca da história da humanidade. A outra frase acho que exemplifica bem a raiva de se sentir preso numa sociedade que se baseia em estruturas pré-concebidas de espaço e tempo, que precisa do conforto do “conhecido” pra não ter que pensar que, na verdade, esta é uma dimensão de caos. Somos apenas formigas numa pedra flutuando no infinito. Suas “verdades” não existem, amigo, haha! Então a resposta, embasada na eterna revolta adolescente dos incompreendidos, é chafurdar fundo na merda mesmo, e cuspir de volta na cara de geral! Niilismo coprofágico!

NEW YEAH: como foi que tu montaste o conceito do Lipstick Jungle? Tu te lembras ao certo quando começou a ter essa ideia de te transformar em uma drag e promover uma atualização subtropical do New York Dolls?

“Eu nunca me vi como homem, mulher, trans, gay, pan… eu sempre fui tudo, meu amor, e tenho aversão a definições e pré-concepções. O gênero, assim como todas as outras convenções sociais, existem pra nos afastar, pra nos colocar e nos aprisionar no ‘lugar que nos condiz'”.

EDU K: olha, New York Dolls, por mais que eu ame, pouco tem a ver com o conceito do Lipstick Jungle. É um clichê relacionar homens maquiados, com vestes femininas no palco, com os Dolls. Essas expressões vêm de muito mais longe, vide teatro japonês, por exemplo, passando, sim, pelo glam inglês de 72 e 73. A verdade sobre o processo do meu novo EP é que ele é complexo, complicado e cheio de referências, pois meu trabalho é sempre vivo, orgânico. É impossível ter um conceito fechado quando tua cabeça muda a toda hora, com cada nova paixão lutando pra tomar o espaço da paixão anterior. O inicio de tudo foi uma volta às minhas origens Bowie. Eu gosto do processo de imersão ao qual me submeto, muitas vezes em momentos de surto criativo. Nesse caso específico, um livro aleatório sobre o Bowie, que eu estava lendo, me levou à um surto glam, então me afundei nesse universo, lendo TODOS os livros sobre Bowie existentes, escutando apenas discos glam/glitter durante uma dupla de meses e voltando a me pintar – sempre me maquiei, usei roupas femininas e unhas pintadas, desde pré-adolescente, mas nunca tão intensamente como agora. Esse processo todo é muito mais do que uma busca por referências e pouco tem a ver com isso. A questão aqui é a imersão mesmo. De fato, é uma cápsula de tempo, uma viagem ao centro de um momento criativo do universo. Mas, como era de se esperar, no meio desse processo todo, novas paixões infectaram paixões prévias e ampliaram o espectro, mudaram o rumo da porra toda, mas sem sair da essência glam. Me apaixonei de novo por um velho amante e, num reflexo do que havia acontecido em relação ao Bowie, me reencontrei com Mama Ru! RuPaul era influência pra mim, e pro meu seleto e nanico círculo na Porto Alegre dos anos 80, pois muito nos fascinava a cultura Club Kid de NYC, na qual Ru brilhou intensamente. Minha drag mother, a bio queen Duda Britz, já vinha me aporrinhando há séculos, dizendo que eu TINHA que assistir RuPaul’s Drag Race, que era minha cara, bla bla bla wiskas sachê. E eu relutei, inicialmente, pois na condição de anti-herói, esquisitão do colégio e afins, odeio esportes, competição, estes clichês todos de macho (e inclua aí cerveja, piadas de peido e, óbvio, futebol), e confesso que a simples presença da palavra “race”, no título do programa, por mais que eu amasse a Ru, não me cheirava bem. Mas, enfim, era o momento final da nona temporada do programa, que seria transmitida ao vivo dali a uma semana, e, no calor do momento, resolvi dar uma olhada no reality. Pasmem, fiquei absolutamente APX! É como disse minha drag mom, “beesha, tu achava o que? Que as bee iam apostar corrida entre si?”, Hahahah! Foi assim que a cultura drag, que sempre fez parte de minha vida e de minha expressão, mesmo que em menor proporção, se infiltrou no processo de glamização que vinha acontecendo, processo que resultou no meu EP Lipstick Jungle e na Lipstick Jungle Tour. Se formou essa ponte entre o glam dos anos 70 e o glam do futuro. É como eu digo, se Bowie é meu pai, RuPaul é minha mãe. E vice-versa.

NEW YEAH: sempre houve um caráter político muito grande no teu trabalho. Desde o início do DeFalla, a tua produção traz um forte discurso que incita a queda dos muros entre os gêneros musicais, e isso em um país sem muito talento para a diversidade acaba tendo um caráter tremendamente contracultural, ainda que muita gente tenha preferido só dançar as tuas canções sem pensar muito no significado delas. Nesse novo trabalho, no entanto, o teu discurso político é mais cru e direto. Ao incorporar uma drag, tu pisas fundo em um calo muito atual e vai diretamente no tutano de uma discussão ainda mais acalorada do que era, por exemplo, a questão do funk com a qual tu te envolveste no início dos anos 2000. Tu chegaste a colocar essas coisas todas na balança enquanto idealizava este trabalho mais recente?

EDU K: política corre nas minhas veias. Agora, mais do que nunca, como tu mesmo colocou. Já te parafraseando, haha, a queda dos muros em questão não é nem só a de gêneros musicais, mas a de gênero como um todo. Eu nunca me vi como homem, mulher, trans, gay, pan… eu sempre fui tudo, meu amor, e tenho aversão a definições e pré-concepções. Óbvio, sabendo que esse sou eu e que cada um tem o direito de acreditar no que quiser. Gênero, assim como todas as outras convenções sociais, existe pra nos afastar, pra nos colocar e aprisionar no “lugar que nos condiz”. Não acredito em nada disso. Acredito na liberdade. Acredito na individualidade. Não acredito nas massas. E, meu corpo é minha arte, é minha granada, minha arma política. Me corpo é uma ferramenta de libertação. Existe já uma certa problematização, aqui e ali, sobre esse meu momento drag. Um certo ranço ativista de timeline que me coloca como um surfista de onda, quando na verdade isso sempre fez parte da minha vida, just Google it, bish! Desde os tempos do DeFalla antigo, a indefinição de gênero foi uma característica forte da minha expressão. Me sinto honrado de ter ajudado muita gente, reprimida pela sociedade, pela família, pelos “bons costumes”, a se soltar, se libertar. Antes da internet, recebia cartas de meninos de cidades do interior, me agradecendo por ser um farol no horizonte de um universo machista e castrador. Uma vez um boy me escreveu contando que, depois de muito tempo sofrendo nas mãos de pais intolerantes, agora, por influência minha, botava seus vestidos e maquiagens numa sacola, atirava pela janela, passava pelo pai na sala e ia se montar na rua, burlando a imposição de gênero, a negação da liberdade de escolha. Fora isso, drag pra mim é zen, é autoajuda, haha! Ser drag me deu uma autoestima que nunca sonhei existir dentro de mim e o ato de me maquiar, em si, é uma experiencia zen devastadora, uma pausa no tempo, no caos interno, uma janela para o meu eu mais profundo e belo.

NEW YEAH: o Lipstick Jungle então vem pra preencher uma lacuna na tua carreira, né?

EDU K: sim. Essa coisa glam era uma faceta que eu ainda não tinha explorado com as quatro patas – sempre foi referência, mas com a inclusão drag nessa sopa de retalhos a parada assumiu proporções astronômicas. Acho que é essa a lacuna que o conceito do Lipstick Jungle preenche, de champagne, make up e muito glitter, em minha história.

NEW YEAH: por fim, em qual forma tu achas que estará na próxima vez em que conversarmos? Quais são os teus planos para um futuro breve?

EDU K: eu não tenho forma, não faço planos e não acredito em futuro, haha.

Lipstick Jungle EP é um lançamento de Edu K através do 180 Selo Fonográfico. O trabalho foi ao ar no dia 15 de setembro e está disponível via streaming. Escute na íntegra clicando aqui.