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E agora José? Músicas para quando a festa acaba

Há uma hora em que acaba o pique. Quando não há mais energia para continuar dançando e o sol já está pra chegar, não há outra alternativa senão baixar a bola. É o estágio da festa conhecido como “chill out”, que poderia ser traduzido para o português como “esfriar”, “relaxar” ou até “desencanar”, para quem quiser usar um vocabulário mais maneiro. O chill out, ato de desacelerar quando o corpo ou o relógio pedem arrego, é um ritual e, como todo bom ritual, fica muito melhor quando tem trilha sonora.

A ideia aqui é falar de sons que ajudam a relaxar, que fazem a ponte entre o barulho e o momento de capotar ou que simplesmente ajudam a velocidade do cérebro a voltar ao normal após um período de superexposição ou alta exigência. São os sons de chill out, que não configuram exatamente um gênero, mas passeiam por tags como o trip-hop, o post-rock, o easy listening, o loungecore e outra dezena de gêneros que possam ser usados como trilha do sossego, com destaque especial para o ambient e o dub. Vamos relaxar? A seleção a seguir lista 10 álbuns ideais para isso.

My Life In The Bush Of Ghosts, Brian Eno/David Bowie (1981)

Fusão de eletrônica, ambient, world music e vozes sampleadas que virou padrão para muito chill out. Entre as vozes usadas, estão um canto egípcio, um pregador evangélico, um político e um canto islâmico, o que dá uma ideia da imprevisibilidade da coisa. Aqui, há funks desengonçados, rocks tortos, música eletrônica bizarra e climas meio tensos que podem até não relaxar, mas já garantem um transporte para a cabeça.

Blue Lines, Massive Attack (1991)

Uma cinematográfica viagem por territórios como o dup, o rap, o soul e o funk. O hit “Unfishined Sympathy” é capaz de comover até o mais cintura dura dos tripulantes. O vocal de Shara Nelson, somado a uma sessão de cordas celestial, mexe nas câmaras mais profundas da alma. “Daydreaming” é um rap tão sossegado que parece que o vocalista o interpretou deitado olhando a chuva fina pela janela. E por aí vai, impecável. Classe. Pura classe.

K&D Sessions, Kruder & Dorfmeister (1998)

Essa coletânea da dupla austríaca é uma coleção de sons chapados e preguiçosos, daqueles cheios de barulhinhos que a mente só consegue captar em certos estados alterados. Entre os artistas trabalhados por eles, estão Bomb The Bass, Depeche Mode, Count Basie e Roni Size. Não encane se a revelação parecer meio disparatada, porque as as remixagens deixam apenas vagas referências às obras originais.

Let’s Get Killed, David Holmes (1997)

Foi graças a trabalhos como esse que o mundo percebeu o talento desse DJ irlandês tarado por trilhas de cinema. Aqui, Holmes saiu por Nova York gravando falas e sons da cidade, que vão desde malucos conversando sozinhos até diálogos de traficantes de rua. No disco, ele intercala várias dessas falas com roteiro lounge, jazz-funk, ambient, dub e, claro, música de cinema. Perfeito como trilha sonora de um filme que só existirá dentro da sua cabeça.

Chill Out, KLF (1990)

O primeiro álbum feito pensando especialmente no descanso auditivo dos ravers. Boa parte da receita usada no ambient moderno está aqui: samples inusitados disparados ao fundo, ondas de teclado flutuantes e ausência de batidas. Os sons remixados incluem Elvis, Fleetwood Mac, gaivotas e trens. Tudo parece aleatório e leva a mente para uma viagem distante, em dimensões nunca antes visitadas. A ideia é deixar rolar por inteiro, sem se importar.

Entroducing, DJ Shadow (1996)

O trip-hop aqui é lento, meio deprê, com bases de rap e dinâmica de música eletrônica. A estreia do DJ Shadow é considerada um marco do estilo e uma obra essencial da música eletrônica em geral. Entroducing foi criado a partir de samples que são quase irreconhecíveis em seu estado final. O resultado é um nevoeiro de texturas e trechos sonoros quicando nas faixas. Profundo e perturbador, é o tipo de disco que vai fazer você sonhar acordado.

Moon Safari, Air (1998)

Nos créditos do disco, há citação a muitos tipos de teclados (Moog, Rhodes, Wurlitzer…), o que dá uma ideia de qual é a base da atmosfera cool criada pela dupla francesa. O hit do álbum é “Sexy Boy”, que é o tipo de música que os Mutantes estariam fazendo se tivessem permanecido criativos até 1995. A canção dá o tom para o resto do trabalho, que se esbalda em vários tipos de jazz e belisca a Bossa Nova. “La Femme D’Argent” é a seguinte cena traduzida em forma de música: fim de tarde na beira da praia, com uma brisa suave e você balançando numa rede.

Dub, Reggae & Roots From The Melodica King, Augustus Pablo (2000)

E não dava para deixar de fora um representante do dub clássico em uma lista como essa. Essa coletânea de Dom Pablo é bem abrangente e repleta de momentos históricos que influenciaram praticamente todo mundo citado acima. Derreta com categoria ao som da “melodica”, do baixo estremecedor, das baterias minimalistas e de uma série ilimitada de efeitos que só estão ali para que a sua mente se desgrude do corpo de maneira definitiva.

Baseado em matéria publicada originalmente na revista Show Bizz #188.