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Deserter

Desde 2013 sem lançar um disco completo, os gaúchos da Loomer divulgaram no ano passado o álbum Deserter, sucessor do já distante You Wouldn’t Anyway. O novo trabalho marca uma abertura no som da banda, provável resultado do amadurecimento de músicos que já estão há tanto tempo no nosso radar.

A Loomer é conhecida por ser uma das principais bandas de shoegaze do Brasil. Sua moral dentro deste nicho sonoro vem desde o EP Mind Drops (2009), e o nome da banda estampado na capa de qualquer lançamento já faz o ouvinte escutar o som tentando achar ali alguma variação dos movimentos eternizados pelo My Bloody Valentine. Porém, não se engane: há muito mais do que isso nas 10 faixas inéditas apresentadas no último mês de outubro.

“Mind Control” tem um vigor punk presente do primeiro ao último acorde. A gravidade de “Opinion” está muito mais próxima do Joy Division do que do Jesus and Mary Chain e momentos de guitarra mais crua – como em “I Have To Say” e “Stardust” – jogam a sonoridade da Loomer a espaços além da nuvem de feedbacks que poderia encaixotar o disco em um gênero ortodoxo. Há ainda espaço para experimentações – e o disco está repleto de pequenos detalhes que tornam as faixas mais surpreendentes – e para grooves pouco óbvios que fazem o álbum ser muito mais do que um simples disco de guitarras, ainda que as guitarras estejam lá para quem vier em busca delas.

Deserter é, sobretudo, um disco desacomodado, como também o são outros discos desta última geração que se preocupa em manter tradições, mas que se inquieta com a possibilidade de acrescentar coisas novas aos sons clássicos. Com os seus primeiros lançamentos, a Loomer já havia conseguido avançar algumas jardas neste sentido, mas agora ela parece investir com maior contundência na busca por novos caminhos. Nada mais justo para o próprio shoegaze. Embora o sub-gênero tenha se acostumado à reprodução de fórmulas ao longo dos anos, sua origem está justamente na vontade de produzir ruído em relação ao já existente. Discos como Deserter reafirmam essa vocação torta e fazem os deuses do panteão sorrirem de orelha a orelha.

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