....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... ....................... .......................
Compre online

Browse By

ceu-tropix

Céu vestida para a noite em Tropix

No dia 18 de março, a cantora brasileira Céu lançou o seu quarto álbum, Tropix. Em um primeiro momento, percebi seguidores de longa data da cantora estranhando o disco por senti-lo frio e estrangeiro demais. Porém, com um pouco mais de paciência, um brasileiro é capaz de encontrar a essência e o calor da Céu no álbum. E é justamente nesse conflito calor-frio que Tropix se impõe autêntico.

ceu-tropix

Desde o seu primeiro álbum, lançado em 2005, a Céu passou por transformações significativas. Da moça bronzeada malemolente, que cantava armada com batidas fortes e ao mesmo tempo suaves, Céu passou pela estrada e pelo vento de Caravana Sereia Bloom (2012) e chegou ao Tropix vestida para a noite, acompanhada de batidas eletrônicas metalicamente marcadas.

Da produção do disco, participaram o baterista Pupilo (Nação Zumbi) e o músico francês Hervé Salters, conhecido pelo seu projeto General Elektriks. O francês, que também acabou de lançar um álbum, se insere na música eletrônica e, com certeza, teve grande influência nas batidas que marcam as canções da cantora brasileira.

A primeira faixa, “Perfume do Invisível”, além dos beats, também tem um quê de disco anos 70 em alguns trechos. A letra fala de um amor, mas de forma bem imagética, explorando cenas. No clipe, é reforçada a ideia que cria o ambiente geral do disco: o moderno e o pixelado, aquecidos pela voz, pela expressão e pela interpretação de Céu.

“Varanda Suspensa” talvez seja a música mais dançante do disco, a que transmite mais “tropicalidade”. Vejo-a como uma das faixas (juntamente com “Arrastar-te-ei”) que mais demonstram que o bronzeado brasileiro está presente em diversos momentos do trabalho apesar do namoro constante com influências estrangeiras, resultado claro das constantes idas e vindas que Céu realizou ao continente Europeu nos últimos anos.

Céu também regravou, à sua maneira, a música “Chico Buarque Song”, da banda paulistana Fellini.

Além disso, Tropix teve ainda a participação da cantora brasileira Tulipa Ruiz, na faixa “Etílica/Interlúdio”. Céu canta sozinha a maioria das passagens e Tulipa entra na segunda parte para contribuir com gritos em um momento psicodélico da música.

Em seu novo álbum, Céu se enfeitou no desejo de atrair ainda mais o público de lá, sem perder o de cá. Escutar Tropix é perceber várias referências musicais (principalmente a eletrônica) utilizadas por alguém que viajou pelo mundo e não teve o medo conservador de ser influenciado. Influenciada, sim. Dominada, não.

Publicado originalmente pelo parceiro Jornalismo Júnior (ECA/USP) no blog Sala 33 e cedido ao New Yeah em nossa parceria de costume.