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A música jovem no Brasil antes da MTV

O Rock in Rio de 1985 foi um marco importante para a música nacional em diversos sentidos.

Um aspecto que se comenta até hoje é que as produções brasileiras passaram a experimentar um nível de tecnologia diferenciado após o intercâmbio com algumas das maiores equipes de som do planeta. Comercialmente falando, o festival também atuou como um marco sem precedentes, trazendo para cá os maiores nomes da música à época e colocando o Brasil definitivamente no mapa dos grandes shows mundiais.

Outra evolução importante que o festival trouxe (e que raramente é discutida) foi que somente a partir dele passou-se a reconhecer a importância de estruturar uma imprensa com repertório o suficiente para acompanhar o que os jovens ouviam. O rock vivia o seu auge comercial no país, mas até 1985 a grande imprensa ainda não havia se preparado para ele. E boa parte dessa estruturação posterior ao festival se deu por conta do pitoresco desempenho da equipe de jornalismo da Rede Globo durante aqueles dias de janeiro: sem especialistas para colocar na cobertura, a emissora carioca apenas alocou os jornalistas comuns que tinha pelo Rio de Janeiro e pediu para que eles falassem o maior número de gírias que conhecessem. Sem informação e completamente deslocados, eles deram origem à uma série de gafes que, misturadas aos aspectos caricatos do público presente, documentam bem como a música jovem era abordada no país durante a Era Pré-MTV.

Leda Nagle de mullets sofrendo para falar o nome do grupo de metal pesado Whitesnake. O jornalismo cultural da emissora tentando descobrir “o que os metaleiros andavam fazendo”. Ilze Scamparini explicando para a audiência como funcionava a linguagem do rock. O legítimo trabalhador brasileiro complementando a renda familiar a partir da venda de picolés de heavy metal. Uma vinheta pixelada (com uma guitarra branca aparentemente desenhada por uma criança de quatro anos) passando com efeito de power point entre uma e outra matéria…

Uma biblioteca de pérolas que evidenciou a ingenuidade do jornalismo praticado pelas grandes emissoras na metade dos anos 80 e que antecedeu o surgimento dos primeiros veículos de peso voltados à música no país. Afinal, era preciso investir em meios que conversassem com os jovens de igual para igual, e não a partir de slogans como o global “alegria de ser jovem com você”, que mais parecia frase de tio – em crise mal digerida de meia idade – que quer ganhar a confiança do sobrinho.