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3 gráficos para desmistificar a evolução da música popular

Broadcast, livestreamcrowdfunding, streaming on demand… a cada novo termo que surge como moda prometendo revolucionar a indústria fonográfica, o mundo da música transforma-se ainda mais em uma sopa de letrinhas onde os rumos são incertos e a língua portuguesa parece cada vez menos bem-vinda.

Entender a música moderna olhando para a atualidade, logo, é uma tarefa cada vez mais confusa, embora às vezes reserve boas surpresas. Entender a música atual olhando para o passado, ao contrário disso, tem se tornado cada vez mais fácil, sobretudo com os avanços das técnicas de pesquisa e as facilidades que a web trouxe para quem gosta de revirar o passado em busca de explicações para o presente. A seguir, separamos alguns gráficos que fizeram esse esforço de busca de informações para tentar explicar de onde a música veio (e, quem sabe, tentar prever para onde ela vai).

A quem pertence o topo das paradas?

A história da música enquanto produto está intimamente ligada ao sucesso comercial dos seus gêneros mais representativos. O gráfico desenhado pelo indiano Suren Makkar com base em dados de diferentes fontes traça um panorama dos gêneros musicais através das décadas, enumerando o sucesso de cada um no topo das paradas de sucesso e nas listas de álbuns mais vendidos ano após ano. Clique na imagem se quiser ampliar.

Clique na imagem para ampliar.

Quando analisamos a área do gráfico que aborda as paradas de sucesso (TOP CHARTING TRACK LIST), na parte superior da imagem, chama a atenção uma aparente diversidade de estilos ter sido soterrada pelo rock a partir dos anos 60 (sobretudo nos anos posteriores à Invasão Britânica). O rock, a partir de 1964, avançaria constantemente para alcançar o seu auge de popularidade nas paradas no ano de 1970, caindo a partir de 1973 para ser substituído pelo reinado fugaz da disco music no final dos anos 70.

Também é legal observar a forma como o R&B, a música eletrônica e o rap dominaram boa parte dos anos 90, cedendo mais tarde à diversidade do século XXI, que culminaria em uma fragmentação sem igual ao longo de toda a linha histórica.

Na parte de baixo do gráfico, que trata dos discos mais vendidos (TOP CHARTING ALBUM ARTISTS), o que mais chama a atenção é a fidelidade do público ligado ao rock, sendo essa fidelidade capaz de manter o gênero sempre entre os álbuns mais vendidos mesmo em épocas onde os artistas de rock não estiveram necessariamente entre os mais tocados. O gráfico ainda sinaliza, no final da sua linha histórica, um cenário onde o posto de gênero musical mais bem-sucedido comercialmente via vendas é bastante disputado (com o rock no páreo!), a despeito do que algumas pessoas afirmam em suas reclamações mais recentes.

Quem sustenta a indústria?

O fã, você vai pensar em responder. E não está errado, mas todos sabemos que os investimentos das grandes empresas na música são responsáveis diretos pela boa divulgação de determinados artistas e por isso são quase tão determinantes quanto a vontade da audiência (isso até mesmo nos dias de hoje, quando temos impressão de que a voz do povo é mais relevante do que o jabá). Também não é segredo que o coração da indústria fonográfica bate nos Estados Unidos, onde estão as operações matrizes das principais gravadoras e os grandes financiadores da coisa toda.

O autor do gráfico abaixo pensou em uma maneira inusitada de cruzar a economia norte-americana com o mercado fonográfico. Acabou descobrindo que, nas épocas em que a indústria local mais produz/coleta/armazena petróleo, o rock tende a produzir obras mais memoráveis.

O gráfico acima é mais curioso do que necessariamente informativo e sugere diversas hipóteses que precisam ser melhor estudadas antes de serem afirmadas com certeza. A primeira hipótese é a de que as curvas sincronizadas do gráfico não passam de mera coincidência. Outras hipóteses são possíveis: sabe-se que as listas da Rolling Stone (publicação usada como base na imagem acima) são diretamente afetadas pelo sucesso comercial das canções avaliadas, o que sugere que o rock só consegue escalar as paradas de sucesso quando a economia está robusta o suficiente para lhe injetar investimentos. Segundo esta análise, o rock seria um gênero naturalmente habituado ao submundo, sendo tirado de lá somente com a ajuda de muito capital.

A música popular está ficando mais burra?

A vontade de responder que SIM é bem grande, principalmente no verão, quando alguns hits de duas ou três palavras sufocam a areia da praia em aparelhos de som com elevada potência. Mas, ao menos no que diz respeito ao vocabulário, as músicas atuais são em geral mais complexas do que as músicas mais populares nas décadas passadas, como mostra o gráfico abaixo, elaborado com base no Top 100 da revista Billboard.

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Como mostra o gráfico, desde os anos 60 os hits vêm tendo letras cada vez maiores e versos que utilizam cada vez mais palavras diferentes. A reta escura ascendente, que demonstra a média de cada época, deixa isso bem nítido. Não significa, no entanto, que obrigatoriamente a música pop esteja ficando mais inteligente por possuir maior vocabulário, mas está aí um dado que já ajuda a desmistificar uma questão sempre levantada em discussões de mesa de bar.

E outra: quando for criticar o “tchê tchererê tchê tchê” (você tem esse direito!), não tenha como base comparativa a letra de “A Day In The Life“, dos Beatles, por exemplo, porque essa música passou bem longe das paradas de sucesso da sua época. Aliás a música dos Beatles mais tocada em 1967 foi “All You Need Is Love”, uma das canções mais representativas da história, mas que repetia a palavra “love” 43 vezes em menos de quatro minutos.

Os gráficos acima são parte de um estudo maior que ainda estamos fazendo sobre o panorama atual da música em comparação às décadas passadas. Em breve, traremos outras informações dessas que emocionalmente podem causar discórdia, mas que matematicamente estão aí para quem quiser ver.